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domingo, 18 de março de 2012
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Culto online - Vale a pena clicar!
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sábado, 15 de maio de 2010
Princípios Batistas - A Nossa Tarefa Contínua
A NOSSA TAREFA CONTÍNUA
1- A centralidade do indivíduo
1- A centralidade do indivíduo
Os batistas, historicamente, têm exaltado o valor do indivíduo, dando-lhe um lugar central no trabalho das igrejas e da denominação. Essa distinção, entretanto, está em perigo nestes dias de automatismo e pressões para o conformismo. Alertados para esses perigos, dentro das próprias fileiras, tanto quanto no mundo, os batistas devem preservar a integridade do indivíduo.
O alto valor do indivíduo deve refletir-se nos serviços de culto, no trabalho evangelístico, nas obras missionárias, no ensino e treinamento da mordomia, em todo o programa de educação cristã. Os programas são justificados pelo que fazem pelos indivíduos por eles influenciados. Isso significa, entre outras coisas, que o indivíduo nunca deve ser usado como um meio, nunca deve ser manobrado, nem tratado como mera estatística. Esse ideal exige, antes, que seja dada primordial consideração ao indivíduo, na sua liberdade moral, nas suas necessidades urgentes e no seu valor perante Cristo.
De consideração primordial na vida e no trabalho de nossas igrejas é o indivíduo, com seu valor, suas necessidades, sua liberdade moral, seu potencial perante Cristo.
2- Culto
O culto a Deus, pessoal ou coletivo, é a expressão mais elevada da fé e devoção cristã. É supremo tanto em privilégio quanto em dever. Os batistas enfrentam uma necessidade urgente de melhorar a qualidade do seu culto, a fim de experimentarem coletivamente uma renovação de fé, esperança e amor, como resultado da comunhão com o Deus supremo.
O culto deve ser coerente com a natureza de Deus, na sua santidade: uma experiência, portanto, de adoração e confissão que se expressa com temor e humildade. O culto não é mera forma e ritual, mas uma experiência com o Deus vivo, através da meditação e da entrega pessoal. Não é simplesmente um serviço religioso, mas comunhão com Deus na realidade do louvor, na sinceridade do amor e na beleza da santidade.
O culto torna-se significativo quando se combinam, com reverência e ordem, a inspiração da presença de Deus, a proclamação do evangelho, a liberdade e a atuação do Espírito. O resultado de tal culto será uma consciência mais profunda da santidade, majestade e graça de Deus, maior devoção e mais completa dedicação à vontade de Deus.
O culto – que envolve uma experiência de comunhão com o Deus vivo e santo – exige uma apreciação maior sobre a reverência e a ordem, a confissão e a humildade, a consciência da santidade, majestade, graça e propósito de Deus.
3- O ministério cristão
A igreja e todos os seus membros estão no mundo a fim de servir. Em certo sentido, cada filho de Deus é chamado como cristão. Há, entretanto, uma falta generalizada no sentido de negar o valor devido à natureza singular da chamada como vocação ao serviço de Cristo. Maior atenção neste ponto é especialmente necessária, em face da pressão que recebem os jovens competentes para a escolha de algum ramo das ciências e, ainda mais devido ao número decrescente daqueles que estão atendendo à chamada divina, para o serviço de Cristo.
Os que são chamados pelo Senhor para o ministério cristão devem reconhecer que o fim da chamada é servir. São, no sentido especial, escravos de Cristo e seus ministros nas igrejas e junto ao povo. Devem exaltar suas responsabilidades, em vez de privilégios especiais. Suas funções distintas não visam à vanglória; antes, são meios de servir a Deus, à igreja e ao próximo.
As igrejas são responsáveis perante Deus por aqueles que elas consagram ao seu ministério. Devem manter padrões elevados para aqueles que aspiram à consagração, quanto à experiência e ao caráter cristãos. Devem incentivar os chamados a procurarem o preparo adequado ao seu ministério.
Cada cristão tem o dever de ministrar ou servir com abnegação completa; Deus, porém, na sua sabedoria, chama várias pessoas de um modo singular para dedicarem sua vida de tempo integral ao ministério relacionado com a obra da igreja.
4- Evangelismo
O evangelismo é a proclamação do juízo divino sobre o pecado, e das boas novas da graça divina em Jesus Cristo. É a resposta dos cristãos às pessoas na incidência do pecado, é a ordem de Cristo aos seus seguidores, a fim de que sejam suas testemunhas frente a todos os homens. O evangelismo declara que o evangelho, e unicamente o evangelho, é o poder de Deus para a salvação. A obra de evangelismo é básica na missão da igreja e no mister de cada cristão.
O evangelismo, assim concebido, exige um fundamento teológico firme e uma ênfase perene nas doutrinas básicas da salvação. O evangelismo neotestamentário é a salvação por meio do evangelho e pelo poder do Espírito. Visa à salvação do homem todo; confronta os perdidos com o preço do discipulado e as exigências da soberania de Cristo; exalta a graça divina, a fé voluntária e a realidade da experiência de conversão.
Convites feitos a pessoas não salvas nunca devem desvalorizar essa realidade imperativa. O uso de truques de psicologia das massas, os substitutivos da convicção e todos os esquemas vaidosos são pecados contra Deus e contra o indivíduo. O amor cristão, o destino dos pecadores e a força do pecado constituem uma urgência obrigatória.
A norma de evangelismo exigida pelos tempos críticos dos nossos dias é o evangelismo pessoal e coletivo, o uso de métodos sãos e dignos, o testemunho de piedade pessoal e dum espírito semelhante ao de Cristo, a intercessão pela misericórdia e pelo poder de Deus, e a dependência completa do Espírito Santo.
O evangelismo, que é básico no ministério da igreja e na vocação do crente, é a proclamação do juízo e da graça de Deus em Jesus Cristo e a chamada para aceitá-lo como Salvador e segui-lo como Senhor.
5- Missões
Missões, como usamos o termo, é a extensão do propósito redentor de Deus através do evangelismo, da educação e do serviço cristão além das fronteiras da igreja local. As massas perdidas do mundo constituem um desafio comovedor para as igrejas cristãs.
Uma vez que os batistas acreditam na liberdade e competência de cada um para as próprias decisões, nas questões religiosas, temos a responsabilidade perante Deus de assegurar a cada indivíduo o conhecimento e a oportunidade de fazer a decisão certa. Estamos sob a determinação divina, no sentido de proclamar o evangelho a toda a criatura. A urgência da situação atual do mundo, o apelo agressivo de crenças e ideologias exóticas, e nosso interesse pelos transviados exigem de nós dedicação máxima em pessoal e dinheiro, a fim de proclamar-se a redenção em Cristo, para o mundo todo.
A cooperação nas missões mundiais é imperativa. Devemos utilizar os meios à nossa disposição, inclusive os de comunicação em massa, para dar o Evangelho de Cristo ao mundo. Não devemos depender exclusivamente de um grupo pequeno de missionários especialmente treinados e dedicados. Cada batista é um missionário, não importa o local onde mora ou posição que ocupa. Os atos pessoais ou de grupos, as atitudes em relação a outras nações, raças e religiões fazem parte do nosso testemunho favorável ou contrário a Cristo, o qual, em cada esfera e relação da vida, deve fortalecer nossa proclamação de que Jesus é o Senhor de todos.
As missões procuram a extensão do propósito redentor de Deus em toda parte, através do evangelismo, da educação, e do serviço cristão e exige de nós dedicação máxima.
6- Mordomia
A mordomia cristã é o uso, sob a orientação divina, da vida, dos talentos, do tempo e dos bens materiais, na proclamação do Evangelho e na prática respectiva. No partilhar o Evangelho, a mordomia encontra seu significado mais elevado: ela é baseada no reconhecimento de que tudo o que temos e somos vem de Deus, como uma responsabilidade sagrada.
Os bens materiais em si não são maus, nem bons. O amor ao dinheiro, e não o dinheiro em si, é a raiz de todas as espécies de males. Na mordomia cristã o dinheiro torna-se o meio para alcançar bens espirituais, tanto para a pessoa que dá, quanto para quem recebe. Aceito como encargo sagrado, o dinheiro torna-se não uma ameaça e sim uma oportunidade. Jesus preocupou-se em que o homem fosse liberto da tirania dos bens materiais e os empregasse para suprir tanto às necessidades próprias como as alheias.
A responsabilidade da mordomia aplica-se não somente ao cristão como indivíduo, mas, também, a cada igreja local, cada convenção, cada agência da denominação. Aquilo que é confiado ao indivíduo ou à instituição não deve ser guardado nem gasto egoisticamente, mas empregado no serviço da humanidade e para a glória de Deus.
A mordomia cristã concebe toda a vida como um encargo sagrado, confiado por Deus, e exige o emprego responsável de vida, tempo, talentos e bens – pessoal ou coletivamente – no serviço de Cristo.
7- O ensino e treinamento
O ensino e treinamento são básicos na comissão de Cristo para os seus seguidores, constituindo um imperativo divino pela natureza da fé e experiência cristãs. Eles são necessários ao desenvolvimento de atitudes cristãs, à demonstração de virtudes cristãs, ao gozo de privilégios cristãos, ao cumprimento de responsabilidades cristãs, à realização da certeza cristã. Devem começar com o nascimento do homem e continuar através de sua vida toda. São funções do lar e da igreja, divinamente ordenadas. E constituem o caminho da maturidade cristã.
Desde que a fé há de ser pessoal, e voluntária cada resposta à soberania de Cristo, o ensino e treinamento são necessários antecipadamente ao Discipulado Cristão, e a um testemunho vital. Este fato significa que a tarefa educacional da igreja deve ser o centro do programa. A prova do ministério do ensino e treinamento está no caráter semelhante ao de Cristo e na capacidade de enfrentar e resolver eficientemente os problemas sociais, morais e espirituais do mundo hodierno. Devemos treinar os indivíduos a fim de que possam conhecer a verdade que os liberta, experimentar o amor que os transforma em servos da humanidade, e alcançar a fé que lhes concede a esperança no reino de Deus.
A natureza da fé e experiência cristãs e a natureza e necessidades das pessoas fazem do ensino e treinamento um imperativo.
8- Educação cristã
A fé e a razão aliam-se no conhecimento verdadeiro. A fé genuína procura compreensão e expressão inteligente. As escolas cristãs devem conservar a fé e a razão no equilíbrio próprio. Isto significa que não ficarão satisfeitas senão com os padrões acadêmicos elevados. Ao mesmo tempo, devem proporcionar um tipo distinto de educação – a educação infundida pelo espírito cristão, com a perspectiva cristã e dedicada aos valores cristãos.
Nossas escolas cristãs têm a responsabilidade de treinar e inspirar homens e mulheres para a liderança eficiente, leiga e vocacional, em nossas igrejas e no mundo. As igrejas, por sua vez, têm a responsabilidade de sustentar condignamente todas as suas instituições educacionais.
Os membros de igrejas devem ter interesse naqueles que ensinam em suas instituições, bem como naquilo que estes transmitem. Há limites para a liberdade acadêmica; deve ser admitido, entretanto, que os professores das nossas instituições tenham liberdade para erudição criadora, com o equilíbrio de um senso profundo de responsabilidade pessoal para com Deus, a verdade, a denominação, e as pessoas a quem servem.
A educação cristã emerge da relação da fé e da razão e exige excelência e liberdade acadêmicas que são tanto reais quanto responsáveis.
9- A autocrítica
Tanto a igreja local quanto a denominação, a fim de permanecerem sadias e florescentes, têm que aceitar a responsabilidade da autocrítica. Seria prejudicial às igrejas e à denominação se fosse negado ao indivíduo o direito de discordar, ou se fossem considerados nossos métodos ou técnicas como finais ou perfeitos. O trabalho de nossas igrejas e de nossa denominação precisa de freqüente avaliação, a fim de evitar a esterilidade do tradicionalíssimo. Isso especialmente se torna necessário na área dos métodos, mas também se aplica aos princípios e práticas históricas em sua relação à vida contemporânea. Isso significa que nossas igrejas, instituições e agências devem defender e proteger o direito de o povo perguntar e criticar construtivamente.
A autocrítica construtiva deve ser centralizada em problemas básicos e assim evitar os efeitos desintegrantes de acusações e recriminações. Criticar não significa deslealdade; a crítica pode resultar de um interesse profundo do bem-estar da denominação. Tal crítica visará ao desenvolvimento à maturidade cristã, tanto para o indivíduo quanto para a denominação.
Todo grupo de cristãos, para conservar sua produtividade, terá que aceitar a responsabilidade da autocrítica construtiva.
Como batistas, revendo o progresso realizado no decorrer dos anos, temos todos inteira razão de desvanecimento ante as evidências do favor de Deus sobre nós. Os batistas podem bem cantar com alegria, “Glória a Deus, grandes coisas Ele fez!” Podem eles também lembrar que aqueles aos quais foi dado o privilégio de gozar de tão alta herança, reconhecidos ao toque da graça, devem engrandecê-la com os seus próprios sacrifícios.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O culto que agrada a Deus (Final)
“...para que fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus” (I Timóteo 3.15)
Em quatro pastorais anteriores, refletimos sobre aspectos práticos do culto e da adoração no templo. Ressaltamos que o princípio geral do culto é que ele é destinado a Deus, não a nós e nossas vontades. Enfatizamos que o templo não é santo no sentido pagão de “lugares santos” (não é santuário!); mas ele é separado para o louvor a Deus e a adoração. Compreendemos que, do ponto de vista rigorosamente bíblico, não haveria sanção para uso de quaisquer instrumentos musicais no culto: bateria, piano ou órgão; estes devem ser compreendidos como “auxiliares” na adoração e sujeitos à cultura local, uso com bom senso, e respeito à diversidade de gostos e preferências pessoais. Afirmamos que o aplauso é legitimamente uma expressão de elogio, e que, contudo, não é incentivado em nossos cultos para fugirmos do lugar comum do desvirtuamento do culto enquanto louvor devido tão somente a Deus.
Tais reflexões práticas procuraram enfocar aquilo que é central no culto e na adoração: a busca da atitude mental e corporal corretas. Em outras palavras, quem vem ao templo para agradar e adorar a Deus precisa refletir sobre sua atitude mental e corporal visando oferecer a Deus um culto aceitável.
A Bíblia revela que um culto a partir da atitude e do comportamento inadequado pode ser rejeitado por Deus. Diz a Escritura que o Senhor “atentou para Abel e para sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gênesis 4.4-5). Oferecer a Deus o pior em termos de atitude e comportamento é condenado veementemente na Bíblia: “Pois quando ofereceis em sacrifício um animal cego, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou o doente, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? diz o Senhor dos exércitos” (Malaquias 1.8). Por trás de uma oferta e um culto de má qualidade, há sempre um adorador deficiente e rejeitado por Deus!
Da posição estratégica em que me encontro, todos os domingos contemplo com profunda preocupação atitudes e comportamentos corporais que denigrem a imagem do Deus a quem pretendemos adorar: são os que trazem copos de água e iguarias para dentro do templo, pensam estar em uma lanchonete; são os que usam e abusam dos chicles, assemelhando os adoradores a verdadeiros ruminantes; são os que usam roupas bem adequadas talvez à moda sensualista e incrédula do mundo, mas jamais ao culto; são os que se sentam esparramados no banco a exibir suas protuberâncias abdominais, postura talvez adequada a um clube, mas nunca a um templo de louvor a Deus; são os que compartilham carícias, transformando o templo em “namoródromo”; são os que conversam o tempo todo, não deixando qualquer chance ao Espírito Santo de falar; são os que fazem cara feia para tudo o que não condiz com o seu gosto e preferência, esquecendo naturalmente que o culto deve agradar a Deus; são os que manipulam seus celulares, enviando torpedos sobre os temas mais diversos, e há ainda aqueles que, pretendendo protestar contra a Igreja, o pastor, o sermão etc..., ficam inertes sem participar de nada, com a Bíblia aberta “fingindo” que a estão lendo... Enfim, eu me pergunto: o que estes estão fazendo no templo e no culto? E com o profeta Isaías: “Quando vindes para comparecerdes perante Mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os Meus átrios?” (Isaías 1.12). Alguns justificam dizendo que é melhor que estes maus adoradores estejam dentro do templo mal comportados do que do lado de fora. Neste assunto, sigo a Bíblia Sagrada: se é para estar no templo que seja somente para adorar e servir a Deus, por inteiro!
SOLI DEO GLORIA
Pr. Josué Mello Salgado
Em quatro pastorais anteriores, refletimos sobre aspectos práticos do culto e da adoração no templo. Ressaltamos que o princípio geral do culto é que ele é destinado a Deus, não a nós e nossas vontades. Enfatizamos que o templo não é santo no sentido pagão de “lugares santos” (não é santuário!); mas ele é separado para o louvor a Deus e a adoração. Compreendemos que, do ponto de vista rigorosamente bíblico, não haveria sanção para uso de quaisquer instrumentos musicais no culto: bateria, piano ou órgão; estes devem ser compreendidos como “auxiliares” na adoração e sujeitos à cultura local, uso com bom senso, e respeito à diversidade de gostos e preferências pessoais. Afirmamos que o aplauso é legitimamente uma expressão de elogio, e que, contudo, não é incentivado em nossos cultos para fugirmos do lugar comum do desvirtuamento do culto enquanto louvor devido tão somente a Deus.
Tais reflexões práticas procuraram enfocar aquilo que é central no culto e na adoração: a busca da atitude mental e corporal corretas. Em outras palavras, quem vem ao templo para agradar e adorar a Deus precisa refletir sobre sua atitude mental e corporal visando oferecer a Deus um culto aceitável.
A Bíblia revela que um culto a partir da atitude e do comportamento inadequado pode ser rejeitado por Deus. Diz a Escritura que o Senhor “atentou para Abel e para sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gênesis 4.4-5). Oferecer a Deus o pior em termos de atitude e comportamento é condenado veementemente na Bíblia: “Pois quando ofereceis em sacrifício um animal cego, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou o doente, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? diz o Senhor dos exércitos” (Malaquias 1.8). Por trás de uma oferta e um culto de má qualidade, há sempre um adorador deficiente e rejeitado por Deus!
Da posição estratégica em que me encontro, todos os domingos contemplo com profunda preocupação atitudes e comportamentos corporais que denigrem a imagem do Deus a quem pretendemos adorar: são os que trazem copos de água e iguarias para dentro do templo, pensam estar em uma lanchonete; são os que usam e abusam dos chicles, assemelhando os adoradores a verdadeiros ruminantes; são os que usam roupas bem adequadas talvez à moda sensualista e incrédula do mundo, mas jamais ao culto; são os que se sentam esparramados no banco a exibir suas protuberâncias abdominais, postura talvez adequada a um clube, mas nunca a um templo de louvor a Deus; são os que compartilham carícias, transformando o templo em “namoródromo”; são os que conversam o tempo todo, não deixando qualquer chance ao Espírito Santo de falar; são os que fazem cara feia para tudo o que não condiz com o seu gosto e preferência, esquecendo naturalmente que o culto deve agradar a Deus; são os que manipulam seus celulares, enviando torpedos sobre os temas mais diversos, e há ainda aqueles que, pretendendo protestar contra a Igreja, o pastor, o sermão etc..., ficam inertes sem participar de nada, com a Bíblia aberta “fingindo” que a estão lendo... Enfim, eu me pergunto: o que estes estão fazendo no templo e no culto? E com o profeta Isaías: “Quando vindes para comparecerdes perante Mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os Meus átrios?” (Isaías 1.12). Alguns justificam dizendo que é melhor que estes maus adoradores estejam dentro do templo mal comportados do que do lado de fora. Neste assunto, sigo a Bíblia Sagrada: se é para estar no templo que seja somente para adorar e servir a Deus, por inteiro!
SOLI DEO GLORIA
Pr. Josué Mello Salgado
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Culto e Compromisso

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (Romanos 12.1)
Vivemos em um tempo no qual o ato de comprometer-se se tornou uma raridade. Diria até um “artigo de luxo” em alguns círculos, para algumas pessoas. No atual panorama marcadamente consumista, nada pode durar tanto, tudo necessita ter um prazo de validade muito pequeno, melhor ainda se for descartável. O problema é que esta mentalidade permeia e invade, sobretudo, os relacionamentos. Podemos acompanhar, por exemplo, o crescente e entristecedor registro de casais que com pouco tempo de matrimônio, alguns com menos de um ano, partem para um divórcio, para uma separação. Simplesmente porque “não deu certo”. Pouco tempo, diante de escassas tentativas de investimento na relação, diante da dificuldade em se sustentar o compromisso no relacionamento, opta-se, sem maiores dificuldades, pelo término.
Mas não é só nos relacionamentos interpessoais que isto acontece. Quando pensamos acerca de nossa trajetória de vida cristã, infelizmente constatamos que, mesmo na vida espiritual, este tem sido o nível de (falta de) compromisso que a maioria das pessoas tem estabelecido com Deus.
Na sociedade hodierna, é cada vez mais comum vermos as pessoas querendo relacionar-se com Deus. Em uma razão inversamente proporcional, porém, diminui significativamente o número de pessoas dispostas a se comprometerem com Ele! Querer alimentar um relacionamento com Deus não é sinônimo de querer estabelecer um compromisso real com o Senhor, compromisso este que implica submissão à Sua Palavra e à Sua Vontade. Aproximar-se de Deus para obter vantagens, receber bênçãos, alcançar vitórias, prosperar a qualquer custo, sem o menor desejo de por Ele ser transformado e de firmar um compromisso de renovação constante da mente (cf. Rm12.2), é converter esta relação em algo descartável. É ser apenas pragmático na comunhão com o Senhor. É utilizar-se Dele enquanto bem servir ou durante o período das “conquistas”. Em contrapartida, quando Deus não satisfizer mais os desejos e as vontades mesquinhas e egoístas, vê-se abandonado com mais rapidez do que quando alguém abandona um copo de plástico após a sua utilização.
Não é preciso muito esforço para concluir que esta é uma profunda marca de nossa contemporaneidade. As realidades são assim hoje em dia. E são porque buscamos muito mais as facilidades da vida. A preocupação pelo que deve ser feito não ocupa destaque. Pensamos apenas em fazer o mais fácil, o mais vantajoso, ou pelo menos o que irá tornar a nossa vida mais simplificada, seja certo ou errado.
O verdadeiro cristianismo, no entanto, necessita ser estabelecido numa perspectiva de contracultura social. Não podemos viver na íntegra a radicalidade do evangelho se não estamos pré-dispostos a nos comprometer com Deus e com a Sua Palavra. E mais, se este pacto não se estende ao compromisso com a Sua vontade para nós.
Não se pode querer permanecer na presença de Deus se não houver um profundo e reiterado desejo de comprometer-se com Ele. Não se pode sequer prestar culto ao Senhor se não existe tal direcionamento. Cultuar a Deus é também comprometer-se com Ele, com o Seu reino, com a Sua igreja, e, principalmente, com as mudanças e ajustes que a Sua Palavra exige de nós. Se almejarmos apresentar um culto verdadeiro e coerente ao Senhor é fundamental oferecermo-nos como sacrifício vivo, santo e agradável em Sua presença. Esta é a dimensão exata do compromisso que devemos alimentar com Deus. Vidas dedicadas, vidas que buscam a santidade, vidas que procuram, pelo seu reto proceder, agradar ao Senhor em tudo o que fazem. Aqueles que se comprometem de fato com Deus prestam-lhe um culto verdadeiro, digno e sincero.
Que Ele nos abençoe e nos ajude!
Pr. Matheus Guimarães Guerra Gama
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
O culto que agrada a Deus

“...para que fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus” 1 Timóteo 3.15
Nossa ênfase no mês de novembro é a temática da adoração: “descobrindo e preparando líderes para a adoração em espírito e em verdade”, com isso visando o aperfeiçoamento dos santos.
O templo foi construído, dedicado e destinado para o culto público a Deus. E, sendo o culto oferecido a Deus, é a Ele que aquele deve agradar e não aos caprichos e gostos humanos. Quem reclama que certo culto não o agradou ainda não compreendeu o sentido da adoração genuína e bíblica; faz-se cliente e não adorador; deus e não criatura; usurpa uma prerrogativa divina! Por outro lado, quem faz o que bem quer no culto, também incorre nos mesmos equívocos. Tenho visto muito crente embirrado, não raro com eventos absolutamente excepcionais em cultos, fazendo assim as vezes de deus!
Mesmo que uma normatização de culto não seja da competência humana, ganharemos muito em abordar algumas questões práticas e controvertidas: os instrumentos musicais, as roupas, o aplauso, os alimentos e as iguarias (chicle)... Isso faremos nos próximos domingos.
A maior parte destas questões deve ser abordada e julgada não tanto pela espiritualidade que poderia revelar, ou a correção doutrinária batista, mas muito mais pelo gosto, pela faculdade de julgar os valores estéticos segundo critérios pessoais e subjetivos. E quando se trata de gosto ou preferência pessoal só há unanimidade no cemitério. Onde há vida e seres vivos aí haverá opiniões e visões divergentes. E, contudo fomos chamados a experimentar a unidade na diversidade neste organismo chamado “Corpo de Cristo” (note, não o corpo de José, ou o de Maria ou ainda de outro). Quem quer impor o seu gosto pessoal sobre uma coletividade está demonstrando vocação para ermitão e não para membro de um grupo.
O que é estabelecido biblicamente como princípio geral é que o culto é destinado a Deus e o que Deus sobretudo busca é a atitude mental e corporal corretas. Ora, o nosso corpo fala e revela sobre os nossos sentimentos os mais íntimos. Guardadas as devidas proporções é possível identificar imediatamente quem está adorando genuinamente pela postura facial e corporal! Deus procura adoradores com a atitude correta (Isaías 1.10ss) que o adorem em espírito e em verdade (João 4.23-24).
II
Uma das posições mais enfocadas na controvérsia quanto ao uso de instrumentos musicais no culto parece ser aquela que julga alguns instrumentos como espiritual e doutrinariamente corretos e apropriados para o culto (órgão e piano) e outros como absolutamente inadequados e não espirituais (bateria, guitarra). A pergunta é se uma posição que busca apoio bíblico, doutrinário ou divino para adoção de certos instrumentos e recusa de outros terá bom êxito ou se a matéria é na verdade uma questão de gosto ou preferência pessoal, i.é., se a questão deve ser julgada a partir da faculdade de julgar os valores estéticos segundo critérios pessoais e subjetivos.
Uma verdade é clara: não há uma doutrina batista a respeito do uso de instrumentos musicais no culto, essa é uma questão do gosto de cada igreja local. Por outro lado usar o argumento da “tradição batista” como alguns o fazem, soa absolutamente contraditório, pois os batistas têm defendido, nos mais de 400 anos de história, a absoluta autoridade das Escrituras Sagradas em questões de fé e prática e não de alguma tradição. Tradições, mesmo as melhores, não são normativas para batistas!
Haverá então na Bíblia um “princípio regulador do culto” no que tange ao uso de instrumentos musicais? Várias autoridades idôneas da área teológica* elaboram uma consistente e curiosa posição bíblica sobre o assunto: “Adão e Eva, que adoraram a Deus antes da queda, usaram apenas suas vozes em louvor a Deus. Esta afirmação é provada pelo fato de que instrumentos musicais não foram inventados até oito gerações (Genesis 4.20-21)”. Temos no AT vários exemplos do uso de instrumentos musicais para o prazer pessoal, em celebrações de vitórias ou como trombetas de proclamações. Contudo a introdução e uso de instrumentos musicais na adoração pública, está conectada com o sistema sacrificial e foi um aspecto da Lei Cerimonial. Em suma o uso de instrumentos musicais na adoração pública era levítica, cerimonial e tipológica. Incenso, vestimentas, altares e instrumentos musicais faziam parte da adoração cerimonial do Antigo Testamento, como “sombras” ab-rogadas com a vinda de Cristo e, “visto que o Novo Testamento ensina que todos os aspectos cerimoniais de adoração do Templo foram abolidos, as passagens que falam do uso de instrumentos musicais no culto público, debaixo do Antigo Pacto, não providenciam sanção bíblica para o uso de instrumentos musicais na adoração pública hoje”. Comentando o salmo 71 João Calvino escreveu: “Cantar os louvores de Deus ao som da harpa e do saltério inquestionavelmente formava uma parte do aprendizado da lei e do serviço de Deus sob aquela dispensação de sombras e figuras; mas não devem agora ser usadas nas ações de graças públicas.” (Salmos 3, Pg. 65). No culto no templo eles foram usados por sacerdotes e levitas e não foram usados na Sinagoga Judaica até 1810 d.C. na Alemanha. Já o NT silencia de forma absoluta a respeito do uso de instrumentos no culto. Por isso conclui Schwertley: “Os cristãos não podem mais ter interesses em usar instrumentos musicais no culto público do que usar vestimentas sacerdotais, velas, incenso, altares e um sacerdócio sacerdotal”. Concluí-se que na Bíblia não há sanção para uso de bateria e guitarra no culto público no templo, como também para o uso de piano ou órgão. Se quisermos ser literalistas não há outro caminho senão abolir todos os instrumentos musicais e retornar ao louvor apenas com as vozes no melhor estilo gregoriano.
Instrumentos musicais no culto público são, entretanto, excelentes apoios à adoração vocal, portanto uma questão de necessidade prática. A adoção dos diferentes tipos de instrumentos musicais são uma questão de gosto e preferência e devem seguir os critérios de bom senso, cultura local e respeito à diversidade. Tolerância para com o gosto alheio é o único caminho para viabilizar a convivência cristã numa congregação onde a diversidade de gostos é inevitável.
Um visitante ilustre de gosto musical apurado comentou sobre uma cantata executada em nossa igreja: “Não me acrescentou nada, porque os instrumentos, principalmente os metais, me irritaram por estarem muitos altos e eu não conseguia ouvir as vozes e conseqüentemente entender a mensagem”. Neste exemplo, os instrumentos, embora tradicionais (não era bateria e guitarra), prestaram um desserviço ao culto pelo uso sem bom senso.
Vê-se que a questão pivotal não é este ou aquele instrumento, mas o bom senso no uso e a atitude correta de adoração.
*dentre elas: João Calvino, Salmos volumes 1, 2, 3 e 4. Série Comentários Bíblicos. Editora Fiel, São José dos Campos, 2009. Brian Schwertley, Os Instrumentos Musicais no Culto Público de Deus, Lansing, MI, 1998
III
À guisa de conclusão sobre o assunto tratado na pastoral do último domingo, a respeito das posições antagônicas e polarizadas do uso de instrumentos musicais no culto: “bateria e guitarra versus piano e órgão”, reitero que não há uma doutrina batista a respeito do assunto e que não se pode como batista buscar sanção em uma pretensa “tradição” para uma posição mais conservadora que rejeite o uso de instrumentos musicais contemporâneos, tendo em vista que a maior tradição batista é exatamente não seguir tradições humanas em questões de fé e prática. Tal verdade desautoriza a rejeição/aceitação de instrumentos musicais sob alegação de serem ou não serem batistas.
Além disso, verificamos que a Bíblia não oferece sanção para uso de quaisquer instrumentos musicais no culto público no templo, haja vista estarem as padronizações registradas no Antigo Testamento ligadas ao sistema sacrificial e cerimonial do Antigo Pacto, como sombras, ab—rogadas com a vinda e morte de Cristo. Tais padronizações incluíam além de determinados instrumentos musicais, vestimentas sacerdotais, velas, incenso, altares e um sacerdócio sacrificial. Tentar fundamentar preferências por instrumentos musicais na Bíblia, como por exemplo, no Salmo 150, exigiria a busca frustrada de reprodução rigorosa daqueles instrumentos musicais ali citados, inclusive os barulhentos “címbalos altissonantes”, e legitimaria os famigerados atuais grupos de coreografia, por conta da expressão do verso 4: “louvai-o com adufe e com danças”. Em suma, se baseio minhas preferências por certos instrumentos musicais no Salmo 150 ou na Bíblia, não posso deixar de admitir tudo o que é citado neste salmo, incluindo danças. Mas, a Bíblia, ou o Salmo 150 não oferecem sanção para uso de quaisquer instrumentos musicais no culto público no templo hoje e a intenção do Salmo 150 é bem outra! Uma interpretação rigorosamente bíblica desautoriza a rejeição/aceitação de instrumentos musicais sob alegação de serem ou não serem bíblicos.
Instrumentos musicais no culto público no templo são excelentes apoios à adoração vocal e portanto uma questão de necessidade prática inspiradora. E a adoção dos diferentes tipos de instrumentos musicais é uma questão de gosto e preferência e o seu uso deve seguir os critérios de bom senso, respeito à diversidade e cultura local.
O bom senso manda usar o instrumento musical sem suplantar as vozes; ele deve servir apenas de apoio. Já o princípio da diversidade deve levar à compreensão de que uma congregação composta de diversas faixas etárias e diversos gostos musicais só poderá subsistir com uma relação de equilíbrio entre os diferentes gostos. Sem privilegiar uns em detrimento de outros.
Por último, temos a cultura local. Com isso me refiro ao jeito Memorial de ser. A cultura da Memorial em termos de instrumentos musicais é equilibrada. O louvor é acompanhado ora apenas com instrumentos clássicos, ora também com instrumentos contemporâneos, respeitando assim a diversidade de sua congregação. Queremos que todas as gerações e todos os gostos sejam aqui contemplados com bom senso e equilíbrio e encontrem no Templo Memorial “ninho para si”.
Chamados a adorar não apenas sozinhos e isolados, mas unidos e em família, que encontremos sempre aqui a instância adequada de equilíbrio, bom senso, tolerância e edificação mútua. Que a unidade na diversidade dignifique o Deus da “multiforme sabedoria” (Efésios 3.10).
Pr. Josué Mello Salgado
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