quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por que cristãos deveriam ler ficção

Russell Moore
 
Fonte: iProdigo
 
Por Russell Moore
Traduzido por Filipe Schulz
 
Ler ficção é perda de tempo?
 
Tenho percebido que a maioria das pessoas que me dizem que ficção é uma perda de tempo são pessoas que parecer ter uma visão sola cerebra da vida cristã que simplesmente não se encaixa na Bíblia. A Bíblia não se refere ao homem simplesmente como um processo cognitivo, mas como um ser que carrega a imagem de Deus que reconhece a verdade não apenas por meio de categorias de silogismos, mas através de imaginação, beleza, maravilha e admiração. A ficção ajuda a moldar e afiar o que Russell Kirk chamou de “imaginação moral”.
 
Meu amigo David Mills, agora editor executivo da revista First Things, escreveu um brilhante artigo para a Touchstone há alguns anos sobre o papel das histórias em moldar a imaginação moral das crianças. Como ele apontou, instrução moral não é simplesmente saber factualmente o que é certo e o que é errado (apesar de isso também ser parte); é aprender a sentir afeição por certas virtudes e repulsão por outras. Uma criança aprende a simpatizar com o heroísmo de João, o matador de gigantes do pé de feijão e se sente repelida pela crueldade das irmãs da Cinderela.
 
Quando você pensa sobre isso, é assim que as Escrituras muitas vezes funciona. Provérbios, por exemplo, pinta uma imagem vívida da tragédia revoltante que é o adultério (Provérbios 7). Jesus não simplesmente fala sobre o perdão de Deus de forma abstrata. Ele conta uma história, do filho pródigo, pensada para ser chocante (um filho que gasta toda sua herança) e para evocar simpatia e identificação. Os apóstolos fazem o mesmo. Eles usam linguagem literária e visual para apelar não somente ao intelecto, mas também a consciência, por meio da imaginação. Pense na linguagem de Paulo ao dizer “sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” ou o uso de temas literários no Novo Testamento (“o fruto do Espírito”, etc.).
 
A ficção pode, às vezes, como a história do profeta Natã sobre a cordeirinha do homem pobre, despertar partes de nós que estão calejadas, seja por ignorância, preguiça, desatenção ou pecado. Certa noite, dirigindo a caminho de casa, estava falando no telefone com minha avó de 86 anos. Ela estava me contando a história da última vez em que viu meu avô vivo. Ela me contou sobre como sentiu a frieza em seus pés ao trocar as meias dele no leito do hospital, sobre como os olhos dele a fitavam, apesar dele estar incapacitado de falar. Ela falou sobre como, quando as enfermeiras disseram que ela precisava se retirar, ela o beijou, disse que o amava e que podia sentir que ele o acompanhava com os olhos conforme ela deixava o quarto pela última vez. Eu sabia que ela tinha perdido o marido. Eu sei que as pessoas morrem. Eu sei sobre “Maridos, amai vossa mulher” (Efésios 5).
 
Mas aquela história despertou algo em mim. Me levou a abraçar minha esposa com um carinho especial quando cheguei em casa. Eu havia imaginado o que seria dizer adeus a ela daquela forma e, de repente, todas as pressões do dia-a-dia das crianças, das contas, do cuidado da casa e das férias pareciam fazer parte de um contexto maior. A ficção muitas vezes faz a mesma coisa. Quando eu leio A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, eu ganho certa simpatia imaginativa com algo que talvez eu evite na correria da vida: o que é, de fato, morrer. Quando leio as histórias de Wendell Berry situadas no Henry County de Kentucky, tenho acesso ao sentimento de como seria encarar a perda de todas as propriedades da família durante a Grande Depressão de 1929. Esse tipo de ficção fornece uma visão mais rica e mais ampla da vida humana.
 
Além disso, a ficção é, penso seu, um grande auxílio para aqueles que são chamados para pregar e ensinar (o que, nos termos de dar bom testemunho de Cristo, um chamado para todos nós). A ficção ajuda o cristão a aprender a falar de formas que possam navegar entre o abstrato tedioso e o corriqueiro irrelevante. Também te possibilita aprender sobre a natureza humana. Eu nunca tive um problema com vício em drogas. Eu não consigo imaginar que tipo de coisa levaria alguém a experimentar metanfetamina. Ler histórias de vida em locais onde isso é comum e sobre as motivações por trás de um viciado me metanfetamina podem me ensinar a lidar com essas coisas de forma bíblica e enxergar onde eu tenho uma idolatria similar que seria igualmente incompreensível para outra pessoa.
 
Eu diria que a ficção, junto com composição de músicas e aconselhamento pessoal, são formas constantes que Deus me ensina empatia. É fácil no cristianismo evangélico assumir que todos que se opõe ou discordam de nós deve ser simplesmente evaporado verbalmente como um inimigo a ser destruído. Mas nenhum ensinamento falso ou direcionamento enganoso tem qualquer poder até que aparente ser algo bom a alguém. Jesus nos ensina que aqueles que entregam os discípulos à morte “pensarão que estão fazendo a vontade de Deus”. Praticamente qualquer pessoa se sente o heróis de sua própria narrativa pessoal.
 
Pessoas não pensam em si mesmas como super vilões de histórias em quadrinhos, esfregando as mãos e planejando “o reino do maaaaaaal no mundo! Mwa ha ha ha ha!”. A ficção ajuda pessoas a apresentarem honestamente aquelas histórias íntimas que as pessoas contam a si mesmas, coisas que elas não irão discorrer em, por exemplo, um debate, ou uma monografia, sobre sua forma de viver. Na ficção, um Darwinista pode mostrar como é o temor de se viver uma vida em sentido em um universo sem propósito, mas ele também pode demonstrar onde ele encontra aquelas coisas, como amor e admiração, que só podem ser encontradas de forma plena em Deus.
 
Mas, para finalizar, uma boa ficção não é “perda de tempo” pela mesma razão que boa música e boa arte não são perdas de tempo. Tudo isso está enraizado em um Deus infinitamente criativo que escolheu ter sua imagem representada por seres humanos que também criam. Cultura não é irrelevante. É parte do que Deus nos mandou fazer no começo, e que ele declara ser bom. Quando você desfruta da verdade e da beleza, quando você é abençoado por dons que Deus deu aos seres humanos, você está desfrutando de um universo em que, apesar de caído, Deus se regozija e considera “muito bom”.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Autor de “O evangelho maltrapilho”, Brennan Manning faleceu aos 78 anos

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Escritor e pensador brilhante, Brennan Manning faleceu ontem (12) aos 78 anos de idade. Seu best-seller O evangelho maltrapilho falou de forma aguda e penetrante sobre o escândalo da graça. Apesar de estar com a saúde debilitada há algum tempo, sua voz continuou a impactar milhões com sua mensagem simples e poderosa sobre o inefável amor de Deus.
 
Batizado Richard Francis Xavier, o escritor Brennan Manning nasceu e cresceu, junto com os dois irmãos, num subúrbio barra pesada de Nova York. Sua família enfrentou dificuldades – experiência que certamente contribuiu para aguçar-lhe a sensibilidade pelos anseios dos humildes e simples no ministério que abraçaria anos depois -, mas isto não o impediu de entrar para a Universidade St. John, da qual sairia para servir no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (os famosos marines) durante a Guerra da Coréia.
 
De volta à vida civil, Manning tentou estudar jornalismo na Universidade do Missouri, mas seus questionamentos pessoais e a palavra de um conselheiro o levaram a um seminário católico. Em fevereiro de 1956, ao meditar sobre o caminho de Jesus até a cruz, sentiu-se comovido pelo Evangelho e chamado por Deus. “Naquele momento”, relata, “a vida cristã passou a ter um novo significado para mim: uma relação íntima e profunda com Jesus.” Quatro anos mais tarde, graduou-se em Filosofia e, posteriormente, em Teologia, pelo Seminário St. Francis.
 
Um dos aspectos mais interessantes sobre a trajetória ministerial de Brennan Manning é o trânsito entre a academia e as favelas, a universidade e as vilas, povoados e cortiços. Pensador brilhante, especialista em Escrituras e Liturgia, foi entre as populações carentes dos Estados Unidos e da Europa que encontrou o caminho para colocar em prática o tipo de cristianismo com o qual se comprometera desde o início de sua vocação: o da compaixão e serviço abnegado. Viveu em clausura e contemplação; carregou água para populações rurais e foi ajudante de pedreiro na Espanha; lavou pratos na França; deu apoio espiritual a presidiários suíços.
 
Com a fé reafirmada, Brennan Manning retornou aos Estados Unidos, fixando-se inicialmente no Alabama, onde tentou organizar uma comunidade nos mesmos moldes da Igreja primitiva. Voltou ao campus no fim dos anos 1970 e, depois de enfrentar uma crise pessoal, começou a escrever e ministrar palestras, atividades que mantém até hoje, sempre com o objetivo de comunicar o amor incondicional de Deus em Jesus. “Aprendi de um sábio franciscano que, para quem conhece o amor de Cristo, nada mais no mundo é tão belo e desejável.”

quarta-feira, 20 de março de 2013

Um dia de cada vez: meus devocionais


Em seu livro devocional, Um dia de cada vez, Claudia Pinzón, compartilha experiências pessoais, triunfos, fracassos e lições apreendidas durante sua trajetória de vida. Segundo a autora, a jornada diária das pessoas está cheia de altos e baixos, lutas e perturbações. A solução para esses entraves está na confiança que é depositada em Deus.
 
Esta obra foi escrita para que as pessoas encontrem sua verdadeira identidade de filho ao se relacionar em liberdade com o Pai Celestial e desfrutar da vida abundante que Ele proporciona.
 
Cada leitura diária inclui um versículo da Bíblia, bem como um lugar para você escrever seus pensamentos a partir da leitura.
 
Dentre as reflexões diárias do mês de março, a que mais chama à atenção é: “Deixe que Deus seja o seu tudo”. Quando se dá a Deus a oportunidade de está no comando de tudo pode-se viver mais confiante e tranquilo. O homem deve render sua vida a Deus reconhecendo-o em todos os caminhos e permitindo que Ele seja o guia da sua vida.
 
É preciso estar alerta, pois vivemos em um tempo onde há cada vez mais guerras, terremotos, fome, desastres, pragas, falsos profetas, que vêm apenas para confundir, e tempos em que muitos são perseguidos por proclamar a palavra de Deus.
 
Estejam Alertas!
 
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12:24).

Por Priscila Rocha

domingo, 6 de janeiro de 2013

Tema do timestre da EBD - Estudos do livro de Gênesis

 


A Paz do Senhor Jesus Cristo!

A partir deste mês de janeiro e indo até março, a EBD está ministrando lições sobre o livro de Gênesis.
Desta forma, aproveite e leia o que a sua biblioteca tem a te oferecer.
Leia os livros disponíveis em nosso acervo, como os listados abaixo e incremente seu estudo bíblico semanal!!!


  • COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Gênesis - Bereshîth o livro dos princípios. Ed JUERP, 2004,1ª edição;
  • WALTKE, Bruce K. Gênesis. Ed. Cultura Cristã, 2010, 1ª edição;
  • BAXTER, J. Sidow. Examinai as Escrituras: de Gênesis a Josué. Edições Vida Nova, 1992, 1ª edição;
  • LONGMAN III, Tremper. Como ler Gênesis. Edições Vida Nova, 1ª edição;
  • MACKINTOSH, C.H. Estudos sobre o livro de Gênesis. Depósito de literatura cristã,2001, 3ª edição.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Devocionais diários - Um ano com C. S. Lewis


No próximo ano, Lari, Priscila, Giuseppe e eu decidimos ler e compartilhar com vocês as nossas impressões sobre alguns Devocionais Diários de nossa Biblioteca. Para quem não conhece, Devocionais Diários são aqueles livros que contêm pequenas leituras inspirativas para cada dia do ano (geralmente de meia a uma página) como proposta de reflexão e aprendizado. Trata-se de um gênero clássico na literatura cristã. Os Devocionais Diários não são, de forma alguma, substitutos da leitura da Palavra, mas devem ser encarados como material complementar para a reflexão cotidiana. 

O livro escolhido por mim foi Um ano com C. S. Lewis: leituras diárias de suas obras clássicas organizado a partir dos escritos originais de C. S. Lewis e com tradução de Patrícia Klein. Eu, como sabem os leitores mais assíduos, tenho uma grande predileção pelos escritos do autor das Crônicas de Narnia e tive o privilégio de resenhar três de seus livros neste blog: O Peso de Glória, Anatomia de uma Dor e Oração: Cartas a Malcolm. Por isso, estou bastante empolgado em ler esse livro. Futuramente, farei uma resenha mais detalhada do livro e, quem sabe, ao longo do ano, compartilharei algumas das leituras com vocês. Por enquanto, segue abaixo o prefácio especial feito para edição brasileira por Russell Shedd:

"O LEITOR QUE lê pela primeira vez um escrito de C.S. Lewis tem a agradável surpresa de descobrir a criatividade de um homem que foi professor de filosofia em Oxford e de literatura em Cambridge. Ele tinha um dom extraordinário para tratar temas cristãos profundos com simplicidade e perspicácia, enquanto conduzia os pensamentos por caminhos nunca trilhados. É impossível ler esse mestre sem perguntar: “Por que eu não pensei nisso antes?”
Em 1961 fui para Cambridge a fim de pedir ao professor Lewis que me concedesse o privilégio de publicar algumas de suas obras em português. Não consegui falar diretamente com ele, pois não estava em casa naquela ocasião. Porém, foi possível lançar, com seu consentimento, pela Edições Vida Nova, as obras Cartas do Inferno, Razão do Cristianismo e Transposição (hoje, Peso de Glória). Demorou para a fama de C.S. Lewis conquistar um número significativo de leitores no Brasil nos anos 60. Hoje não é mais assim. Lewis é conhecido porque, pouco a pouco, os brasileiros passaram a entender o que o mundo de fala inglesa já conhecia há cinqüenta anos.
Neste livro, em doses fáceis de digerir, o leitor poderá logo compreender por que Lewis é conhecido como um dos mais influentes pensadores de sua geração. Ele é lógico, coerente e sábio. Sem ser teólogo profissional, escreve sobre teologia, história, literatura, ética e psicologia, sempre com o intuito de conduzir o leitor a pensar e querer melhorar. Sessenta anos atrás era completamente fora de moda escrever sobre o Tentador, como Lewis fez nas Cartas para chamar a atenção dos ingleses sobre a sutileza do Diabo. Hoje, mais do que nunca, é preciso observar como o Inimigo pensa e age.
A editora Patricia Klein foi feliz na idéia de apresentar uma coleção de parágrafos para leituras diárias e, assim, permitir ao leitor fazer uma refeição leve. Ler um livro inteiro às vezes dá indigestão, mas, em pequenas doses, a leitura pode se tornar mais sugestiva e agradável. Pode-se saborear o pensamento sem imediatamente abrir espaço para uma outra idéia. Algumas pessoas tomam vitaminas em forma de pílulas para fortalecer a saúde. Ler diariamente um parágrafo de Lewis seguramente fará muito bem para a saúde mental e espiritual, e fortalecerá o caráter cristão.
Recomendo Um Ano com C.S. Lewis sem reservas. Felicito a Editora Ultimato pela iniciativa de preparar, para os leitores de fala portuguesa, este importante e belo volume.
A Deus toda a glória!
Russell Shedd"


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"A Cabana", de William P. Young

Por Roberto Torres Hollanda

Um romance, escrito em 2005 por um vendedor profissional, William P. Young, e publicado em 1º. de maio de 2007 por dois ex-pastores, Wayne Jacobsen e Brad Cummings, no qual foram gastos 300 dólares para sua divulgação, que entrou em oitavo lugar na lista dos livros mais vendidos, organizada pelo “USA Today” (01 mai 2008), tem alvoroçado cristãos aficionados da literatura religiosa.

O propósito do autor de “The Shack” (A Cabana) era atingir as pessoas “espiritualmente interessadas”; no início, seus seis filhos. As editoras religiosas julgaram o tema do livro muito polêmico; as profanas, muito piegas. Por isso, Cummings e Jacobsen resolveram criar uma editora (“Windblown”, Califórnia, EUA) para publicar o livro. Em maio de 2008 já tinham sido impressos mais de 800 mil exemplares.

Um especialista do mercado editorial afirmou que o público não estava interessado na ortodoxia teológica, mas no impacto emocional causado pelo romance.

Apenas um ano depois de publicado, “A Cabana” era o no. 1 da lista do “The New York Times” (08 jun 08), com mais de um milhão de exemplares vendidos.

Alguns líderes cristãos acusaram “A Cabana” de ser um livro herético.

Mas Eugene Peterson, exageradamente, comparou “A Cabana” com “O Peregrino”, de John Bunyan.

Raras vezes aconteceu tanta celeuma a respeito de ficção religiosa; nas Igrejas, tamanho interesse por um livro profano. Incontestavelmente, o romance capturou a imaginação de muitos leitores, católicos, protestantes, evangélicos e ateus.

A revista “Christianity Today” (10 jul 08) considerou-o não provávelmente herético, mas certamente incomum ao tratar da doutrina da Santíssima Trindade, debatida desde o tempo de Tertuliano (155-222). Young retrata as Pessoas da Trindade assim: Deus é uma mulher afro-americana; Jesus é um carpinteiro do Oriente Médio; o Espírito Santo é uma mulher asiática. 

 “The Washington Times” (07 ago 08) preferiu dizer que “A Cabana” é um romance não-ortodoxo, dirigido a cristãos desencantados com as Igrejas. Já atingia dois milhões de exemplares vendidos. Young disse que o livro tinha tornado Deus “acessível às multidões” (sic). Na verdade, Deus passava a ser visível e parte da Criação, porque assumiu um corpo físico, que, aliás, tinha a aparência de mulher. Cummings achava que “o público quer textos espirituais e está cansado de pregações”. 

 Mark Driscoll, pastor de uma megaigreja em Seattle, considerou o livro (http://videos.gospelmais.com.br/ - http://pagels.teamexpansion.org/) herético em relação à Santíssima Trindade. 

Em agosto de 2008, o livro foi lançado no Brasil pela “Sextante”; já no dia 27 desse mês entrou na lista dos mais vendidos. O cronista literário da “VEJA” (08 out 08) assinalou o fato de que livros de ficção estavam oferecendo “até comunicação direta com Deus”, não se contentando “em distrair o leitor nas horas vagas”. Formalmente, é um romance, mas serve “para consolar o leitor”. Em “O Diário de um Mago”, de Paulo Coelho, o leitor tinha uma história de iniciação esotérica. Em “A Cabana”, o leitor pode prescindir das Igrejas, sejam quais forem, e dos teólogos. Na revista, Young, pelo menos desde a edição de 24 fev 2010, esteve no topo da lista; nela permanecia durante as últimas 80 semanas consecutivas! 

 O romancista metido a teólogo esteve no Brasil em outubro de 2008; o comentarista da “VEJA” disse que “a heresia compensou” ... Quando chegou a Curitiba (PR) Young soube que quatro milhões de exemplares estavam espalhados pelo mundo. A “Gazeta do Povo” (29 out 08) revelou que Young acredita na Santíssima Trindade, mas não tem religião; sua vida (ou a vida de “Mack”, o protagonista do romance) teve duas crises: quando passou a duvidar de tudo e quando encontrou, na cabana, Deus, Jesus e o Espírito Santo – e repensou tudo. 

 Compramos, em Brasília, no dia 08 de abril p. p., nosso exemplar do livro, cuja venda talvez tenha ultrapassado a marca dos 10 milhões, traduzido para mais de 30 idiomas. 

 No livro, Young tenta (a partir da página 70), a seu modo, responder a questões cruciais do relacionamento do homem com a Trindade. Suas conversas (a partir da p. 76) são muito irreverentes, esquisitas, heréticas e anti-bíblicas. Basta dizer que “Deus” e o “Espírito Santo” revelam a Young que tinham assumido, no passado, a forma humana (p. 89). Por sua vez, “Jesus” não tinha qualquer poder (p. 90) em Si mesmo, mas declara-se como “o melhor caminho”. “Deus” não quer punir os pecadores (p. 109), mas a Bíblia (II Timóteo 4: 8; Hebreus 12: 23; Tiago 5: 9) diz que Deus Pai é juiz. Para Young, existe absoluta igualdade na autoridade das Pessoas da Trindade e submissão dessas Pessoas ao ser humano; isto pode levar à idolatria (p. 114). O protagonista parece surpreso com o universalismo de Deus Pai, pronto a receber e reconciliar-se com todos os pecadores. Young reanima o Modalismo do século 4 e nega a hierarquia entre as Pessoas da Trindade. 

 A Igreja cristã, desde os seus primórdios, tem discutido sobre a Trindade; sua teologia é bem diferente das conversações dos personagens de Young. 

 Parece que, entre os 10 ou mais milhões de leitores de “A Cabana”, muitos são evangélicos. Pelo menos, acessando vários blogs, encontramos evangélicos postando mensagens simpáticas ao romance e à ideologia de Young. “A Cabana” não introduziu nas mentes dos evangélicos, mas, certamente, está popularizando essa ideologia. É, inegavelmente, um livro de leitura insinuante e sedutora. Leitor, cuidado! 

 Young e seus admiradores podem alegar que “A Cabana” é mera obra de ficção. Mas, na verdade, difunde argumentos de caráter pseudo-teológico. Isso, muitos crentes não percebem, e não conferem o texto profano com a Bíblia. 

 Um fato podemos constatar: a falta de conhecimento bíblico e teológico nas igrejas evangélicas da atualidade. Talvez esteja acontecendo com os alunos da Escola Bíblica Dominical o que aconteceu com “Mack”, o protagonista de “A Cabana” (p. 185): “Tinha as respostas certas algumas vezes, mas não conhecia vocês”.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Trilogia "O agente", de Jerry Jenkins



Mudando de foco, " O agente" aborda o tema apocalíptico de forma bem diferente. É claro que Jenkins esteve por trás de toda a série "Deixados para trás". Mas para quem lê os três livros da série "O agente", é notória a mudança de enfoque demonstrada.
Esta nova trilogia é bem diferente. Enquanto " Deixados..." é algo completamente contextualizado em cima do livro de Apocalipse, contendo uma interpretação particular sobre o que aconteceria nos últimos dias, "O agente" é um romance totalmente ficcional.
Num mundo pós-Terceira Guerra Mundial, as religiões são extintas. Paul Stepola, agente de uma fictícia OMP (Organização para a Manutenção pela Paz"), é chamado para uma célula de combate a "extremistas religiosos", graças a seus conhecimentos sobre Ciências da Religião. Durante os três livros, é narrado o envolvimento dele com na busca e combate a estas células.
Lógico que ao entrar contato com alguns acontecimentos estranhos e sem explicações, Paul começa a se questionar, terminando por se juntar aos "extremistas cristãos". É inevitável fazer um paralelo de sua vida com o de seu homônimo Paulo de Tarso, desde sua conversão em Atos até as cartas mandadas às Igrejas do Novo Testamento.
Bem, o que compensa é que a série vale muito como entretenimento. O ritmo das ações nos três livros combina momentos mais calmos com momentos ágeis e intensos de tirar o fôlego. Poderia até se tornar uma série as aventuras deste nouvel "agente secreto do Senhor...". Opa, desculpem, me empolguei. Mas valeu a pena!

domingo, 18 de novembro de 2012

Vitória final - O reino chegou, de Tim La Haye e Jerry Jenkins


 A vitória final



"Depois de 12 títulos lançados a série 'Deixados para Trás' finalmente chega ao fim. Nesta etapa final, os horrores da tribulação acabarão e Jesus Cristo consolidou o seu reinado na terra. Agora, a humanidade usufrui de um novo e perfeito com o Senhor e a própria terra está transformada. Os que não desejam se sujeitar a Cristo serão devotos de Lúcifer e irão conspirar contra o reinado santo no fim do milênio com um exército massivo. Quando Satã é liberto da prisão de mil anos, ele levanta seus seguidores para o último conflito entre o bem e o mal."

Antes de partirmos para a análise do último livro da pre-quel desta saga, acho interessante voltar-nos à sequência da série, denominada "Vitória final", que nos fala basicamente sobre o milênio e do que acontece, na visão dos autores, com a Terra durante o período do reino milenar de Jesus Cristo.

Bem, então façamos as contas: doze livros da saga cobrem sete anos de Tribulação, então algo como 1200 livros cobrirão mil anos de milênio, certo? Errado!

Este livro contém a mesma atemporalidade dos livros anteriores, haja vista que não segue uma sequência temporal definida - gasta algumas folhas no início do milênio, depois passa o livro inteiro falando sobre um momento definido próximo do primeiro século e voa no último capítulo até o momento da soltura de satanás, sua derrota, seu lançamento no lago de fogo e enxofre e o derradeiro Trono Branco.

Enfim, é livro que deve ser lido sem compromisso, ainda mais se considerarmos que se o Apocalipse é livro difícil de se interpretar, mais difícil ainda é "traduzir" apenas dez capítulos da Bíblia (basicamente as porções finais de Ezequiel, quando é descrita a restauração do templo de Deus, e Ap 21-22) para se formar uma ficção.

Se existe uma lição disso tudo, é lembrar que nosso Senhor é o mesmo ontem, hoje, sempre e para todo o sempre! Aleluia!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tema do trimestre da EBD - Estudos do livro de Apocalipse





A paz do Senhor!

Desde outubro e indo até o fim do ano, a EBD está ministrando lições sobre o livro de Apocalipse.
Desta forma, aproveite e leia o que a sua biblioteca tem a te oferecer. Leia os livros disponíveis em nosso acervo e incremente seu estudo bíblico semanal!!!


  •  O apocalipse - desvendando os mistérios da revelação, de Delcyr de Souza Lima. Ed. Juerp;
  •  Manual de Escatologia, de J.Dwight Pentecost. Ed. Vida;
  •  Interpretações do Apocalipse - quatro pontos de vista, org. C Marvin Pate. Ed. Vida;
  • Escatologia do Novo Testamento, de Russell Shedd. Ed. Vida Nova;
  • A Bíblia e os eventos futuros- panorama da escatologia bíblica, de Leon J. Wood. Editora e Distribuidora Candeia.