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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A oração que Deus ouve


"Eu, porém, faço a minha oração a ti, Senhor, num tempo aceitável; ó Deus, ouve-me segundo a grandeza da tua misericórdia, segundo a verdade da tua salvação." (Salmo 69:13)

Eugene Peterson nos presenteia com essa obra para nos mostrar o Livro de Salmos como guia básico para nossas orações.
Leia alguns trechos da introdução:

"O humano, em uma clássica definição, é a criatura que fabrica ferramentas, homo faber. Não somos animais, vivendo por puro instinto, em contato imediato com o nosso meio ambiente. Tampouco somos anjos, vivendo por pura inteligência, com acesso imediato a Deus. nós somos criaturas, profundamente envolvidas com ferramentas. Diferente dos animais, utilizamos garfo e faca para levar comida às nossas bocas, martelo e serrote para construir as nossas habitações. Diferente dos anjos, usamos as Escrituras para ouvir o que Deus tem a nos dizer, e os sacramentos para receber Sua vida entre nós. Em outra definição, o humano é a criatura que ora , homo pecator. As duas definições se fundem. Oração é tecnologia. Orações são ferramentas.
Entretanto as ferramentas não são as coisas mais importantes sobre nós, Deus é: Deus em ação, criando, redimindo e abençoando. Deus criando o universo: Deus vindo até nós encarnado em Cristo. Deus derramando o Seu espírito sobre as criaturas e a criação. (...)
Porém no dia-a-dia dos seres humanos, as ferramentas são extremamente necessárias, ainda que não sejam mais importantes ou evidentes. Cada comportamento humano observável requer o uso de ferramentas: arando, amando, cozinhando, aprendendo, construindo, crendo. Algumas ferramentas são feitas de madeira, outras de metal, outras de palavras. Uma ferramenta feita de palavras é como outra qualquer feita de aço. A oração é ferramenta feita, principalmente, de palavras.
(...)
As orações são ferramentas, porém com este esclarecimento: as orações não são ferramentas para fazer ou obter, mas para ser e tornar-se.
(...)
As pessoas de fé tomam posse dos Salmos pela mesma razão que os jardineiros empunham a enxada e o ancinho em sua jornada à horta de vegetais, e que os estudantes carregam papel e lápis quando adentram uma sala de leitura. Adquirir tais ferramentas para executar o trabalho humano de modo mais fácil e eficiente é apenas uma questão de ordem prática.
(...)
Os Salmos são necessários porque são as orações modelo.
(...)
Então é isso: abramos nossas Bíblias no livro dos Salmos e os oremos, sequencial, regular e fielmente ao longo do tempo. Eis como a maioria dos cristãos, em grande parte dos séculos, tem amadurecido em oração. Nada extravagante. Apenas faça isso. A oração em si deve ser deliberada e vagarosa, permitindo (como Bento de Nursia orientou) que as emoções do coração entrem em harmonia com os movimentos dos lábio." (pg.9-19)

A oração que Deus ouve
Eugene Peterson
Ed.Palavra, 2007

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Segundo Salmo de Davi


João de Deus Nogueira Ramos (1830-1896), foi um poeta lírico português, autor de uma obra singular, rica em musicalidade e que, embora inserida no período histórico do Romantismo, não se subscreve com plena adequação a essa escola estética. O poema transcrito abaixo foi extraído da coletânea Flores do Campo e é uma paráfrase do Salmo 2, que é um salmo messiânico.

"Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam." Salmo 2.


Segundo Salmo de Davi

Por João de Deus

Porque anda o mundo todo enfurecido,
Se esforços contra Deus são todos vãos?
Os grandes, mais os reis, deram as mãos
Contra o Senhor, contra o seu Ungido,

—Estas correntes, é despedaçá-las,
Este jugo atirar com ele fora!
E lá cima no céu, o que lá mora
Não faz mais que sorrir-se de tais falas.

Mas em lhe dando a ira, aonde então
Se hão de meter, com medo, os desgraçados!
Coroou-me rei no alto de Sião,
Cumpre-me publicar os seus mandados.

-Tu és meu filho; disse-me o Senhor:
Gerei-te hoje; pedir com confiança!
Verás o mundo todo ao teu dispôr,
Terras e povos, como propria herança.

-Vara de ferro para os ir guiando,
E fazê-los guardar-te obediência;
E eles de barro mal cozido e brando
Que os partas em te opondo resistência.

Agora pois vós outros, reis, juizes,
Reparai no que eu digo, e vede lá;
Servi a Deus, e dai-vos por felizes
Cumprindo à risca as ordens que ele dá.

Tomai os meus conselhos; ou, senão,
Tende já como certa a perdição.
Que em se ele irando, é como um raio; aquele
Que o despreza e não crê, infeliz d'ele!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Salmo 1


Mais uma vez postamos um poema de Fagundes Varela, desta vez uma paráfrase do Salmo 1. O Salmo retrata o caminho do justo e o caminho do ímpio e seus destinos, comparando o justo a uma árvore frondosa plantada à beira das águas, firme, constante e frutífera. A satisfação do justo é meditar na lei do Senhor. Sejamos como o justo, prontos a dedicar nosso tempo a estudar a Palavra e principalmente a praticá-la.

"Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa medita dia e noite. É como a árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera!" Sl 1.1-3

Salmo 1
Por Fagundes Varela

Ditoso o justo que afastado vive
Do concílio dos maus e do caminho
Trilhado por perversos pecadores!

E que nunca ensinou, bem como o ímpio,
Do negro vício as máximas corruptas!
Ditoso o homem que fiel concentra
De seu Deus criador na lei divina
Todo o seu pensamento e seu afeto,
E nela só medita noite e dia!

Ele será qual árvore frondosa,
Banhada por arroios cristalinos,
Que bons frutos produz na quadra própria,
E nunca perde o viço e a louçania.

Quanto a sorte do ímpio é diferente!
Brinco do acaso, das paixões joguete,
Assemelha-se ao pó que o vento agita
E sobre a terra desdenhoso espalha.

No dia, pois, do santo julgamento
Perante o Deus severo, confundido,
Fulminado será, deixando ao justo,
O prêmio prometido: a glória eterna!