Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2010

Zona Cinzenta

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (I Coríntios 6. 12; 10. 23)

“Ora cada qual deve proceder conforme a sua convicção” (Romanos 14. 5b).

“Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu Irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça” ( Romanos 14. 21).

O crente deve participar ou promover festas juninas? Essa pergunta ao lado de muitas outras tocam questões sobre as quais a Bíblia não tem um pronunciamento explícito. Elas circulam na chamada zona cinzenta, onde a cor não é preto nem branco, i.e., onde não é tão fácil dizer sim ou não! A Bíblia, contudo, apresenta princípios que nos ajudam a decidir mesmo nas questões duvidosas. Princípios podem ser aplicados através de perguntas a questões duvidosas:

1) É CONVENIENTE? “Nem todas as coisas convêm" ao crente. A palavra grega sumphero significa usar, tolerar, sustentar, trazer ou servir junto com. Como a água e o óleo, há coisas que não se misturam, que não podem andar juntas com a natureza cristã (II Cor. 5. 17), pois são incompatíveis. Algumas práticas, alguns lugares, são absolutamente inconvenientes para um crente. Para saber o que é ou não conveniente, é preciso ouvir a Igreja e ouvir a voz do Espírito no interior (Atos 15. 28; I Cor. 7. 40; II Cor. 7. 10; Rom. 2. 15; 8. 16).

2) É DOMINANTE? “eu não me deixarei dominar por nenhuma delas". A pergunta não é se devo ou não fazer algo, mas se algo que faço, faço com liberdade ou porque me tornei escravo dela. Se Jesus é de fato o Senhor, então não se faça escravo de coisas, de outros e nem mesmo de si mesmo (I Cor. 6. 19-20, 7. 23).

3) É DUVIDOSO? “...cada qual deve proceder conforme a sua convicção". Na dúvida, não ultrapasse! Se há dúvidas sobre alguma ação, é melhor então não praticá-la.

4) É EDIFICANTE? “Nem todas as coisas edificam". Pratique somente ações que favoreçam o seu crescimento espiritual e daqueles que o cercam (Mat. 7. 24; I Pedro 2. 4-5; Atos 20. 32; I Tess 5. 11; Filipenses 4. 8).

5) É ESCANDALOSO? “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu Irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça". Fuja das ações ou atitudes que possam fazer um Irmão mais fraco na fé tropeçar, se escandalizar ou se enfraquecer, i.e., se afastar de Jesus, Seus ensinos e da Igreja. Na expressão de Jesus (Mat 26. 31), se escandalizar é se dispersar.

Na dúvida ou estando na zona cinzenta, é recomendável aplicar a fórmula - CERTO = CD2E2.

Pr. Josué Mello Salgado

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Oh Rei dos reis, oh Árbitro do mundo


Publicamos novamente um poema do grande Bocage. Desta vez um poema que trata do reconhecimento do pecado na vida do poeta e da sua incapacidade de livrar-se de suas correntes sem a ajuda do Senhor.

"Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar. Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti." (Sl 51. 1-13)

Soneto
Por Manuel Maria Barbosa du Bocage

Oh Rei dos reis, oh Árbitro do mundo,
Cuja mão sacrossanta os maus fulmina,
E a cuja voz terrífica, e divina
Lúcifer treme no seu caos profundo!

Lava-me as nódoas do pecado imundo,
Que as almas cega, as almas contamina:
O rosto para mim piedoso inclina,
Do eterno império Teu, do Céu rotundo:

Estende o braço, a lágrimas propício,
Solta-me os ferros, em que choro e gemo
Na extremidade já do precipício:

De mim próprio me livra, oh Deus supremo!
Porque o meu coração propenso ao vício
É, Senhor, o contrário que mais temo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Estações no Caminho para a Liberdade


Por Dietrich Bonhoeffer
Tradução de Helberto Michel
Extraído de: Bonhoeffer, Dietrich. Ética. São Leopoldo: Sinodal, 2005.

DISCIPLINA

Se saíres em busca da liberdade, aprende, antes de tudo,
disciplina dos sentidos e de tua alma, para que os desejos
e teus membros não te levem ora para cá, ora para lá.
Casto seja teu corpo e teu espírito. plenamente sob teu domínio
e obediente na procura do alvo que lhe foi colocado.
Ninguém experimenta o mistério da liberdade a não ser pela disciplina.

AÇÃO

Não qualquer coisa, mas o correto deve ser feito e arriscado;
não se deve flutuar no possível, mas agarrar valentemente o real;
a liberdade não está no vôo dos pensamentos, mas tão-somente na ação.
Sai da medrosa hesitação para a tempestade dos acontecimentos,
sustentado apenas pelo mandamento divino e pela tua fé,
e a liberdade acolherá teu espírito com júbilo.

SOFRIMENTO

Maravilhosa transformação. As mãos fortes e ativas
estão amarradas. Impotente e solitário, vês o fim
de tua ação. Não obstante, respiras aliviado e colocas o correto
tranqüila e confiantemente em mãos mais fortes e te dás por satisfeito.
Só por um momento tocaste, feliz, a liberdade,
entregando-a então a Deus para gloriosa consumação.

MORTE

Pois vem, festa máxima no caminho para a eterna liberdade;
morte, destrói as fatigantes correntes e muralhas
de nosso corpo passageiro e de nossa alma cega,
para que finalmente vislumbremos o que nos é negado ver aqui.
Liberdade, procuramos-te longamente em disciplina, ação e sofrimento.
Morrendo, te reconhecemos agora na face de Deus.