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domingo, 29 de setembro de 2013

Movimento neopentecostal brasileiro – um estudo de caso


 “Neste livro, o autor mostra dados preliminares sobre o neopentecostalismo brasileiro e a Igreja universal do Reino de Deus – IURD. O texto vai discorrendo sobre o desenvolvimento do pentecostalismo brasileiro, desde o seu início até o atual movimento da terceira onda.”

O missionário David Allen Bledsoe, com larga passagem por igrejas brasileiras, constrói uma verdadeira tese sobre o que é a IURD, passando pela análise de seu fundador e líder principal, organização eclesiástica, vias de ministério, mensagem fundamental e expansão no Brasil e no exterior.

Daí passa para todos os valores que facilitaram o crescimento da IURD e sua integração na sociedade brasileira, indo num crescente até se ter condições a responder à pergunta: “A IURD, como uma das manifestações mais visíveis do movimento neopentecostal brasileiro, facilita ou inibe o sucesso da evangelização na sociedade brasileira?”.

Desta forma, líderes eclesiásticos e leitores em geral poderão entender a complexidade, ensinamentos, estratégias e práticas da IURD e de igrejas congêneres, bem como entender como isso se encaixa na história do movimento neopentecostal brasileiro.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Comunicantes




Retomando a série de posts Cristianismo e Literatura, publicamos um poema de Murilo Mendes, poeta católico brasileiro e principal participante de um movimento dentro da segunda fase da poesia modernista brasileira que pretendia um resgate da espiritualidade poética. A retomada dos temas espirituais que eram comuns no Simbolismo e no Romantismo se deu, nesse movimento, sem desdenhar dos avanços estilísticos conquistados pelos poetas da fase chamada heróica do Modernismo. Comungavam dessa estética poetas como Jorge de Lima, Augusto Schmidt, Tristão de Ataíde e, em parte, Vinicius de Moraes. 


O ponto alto da poesia de inspiração cristã no período foi a obra Tempo e Eternidade de Murilo Mendes e Jorge de Lima, publicada em 1935 com o objetivo de "restaurar a poesia em Cristo". Comunicantes  é um dos poemas que compõem essa obra e fala da Igreja como "família sobrenatural" e sobre o desejo de formar poetas que irradiam as palavras do Eterno ao ajuntar novos membros ao corpo de que Cristo Jesus é a cabeça.


Comunicantes
Por Murilo Mendes


"Eu amo minha família sobrenatural
Aquela que não herdei
Aquela que ama o Eterno.
São poetas, são musas, são iluminados 
Que vivem mirando os seus fins transcendentes.
O mundo, minha família sobrenatural não te possuiu. 
Minha angústia vive nela e com ela.
E eu formarei poetas no futuro
À sua imagem e semelhança. 
E todos ajuntando novos membros ao corpo 
De que o Cristo Jesus é a cabeça
 Irradiarão as palavras do Eterno" 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Princípios Batistas - A Igreja

A IGREJA


1- Sua natureza

No Novo Testamento o termo igreja é usado para designar o povo de Deus na sua totalidade, ou só uma assembléia local. A igreja é uma comunidade fraterna das pessoas redimidas por Cristo Jesus, divinamente chamadas, divinamente criadas, e feitas uma só debaixo do governo soberano de Deus. A igreja como uma entidade local – um organismo presidido pelo Espírito Santo – é uma fraternidade de crentes em Jesus Cristo, que se batizaram e voluntariamente se uniram para o culto, estudo, a disciplina mútua, o serviço e a propagação do evangelho, no local da igreja e até os confins da terra.

A igreja, no sentido lato, é a comunidade fraterna de pessoas redimidas por Cristo e tornadas uma só na família de Deus. A igreja, no sentido local, é a companhia fraterna de crentes batizados, voluntariamente unidos para o culto, desenvolvimento espiritual e serviço.

2- Seus membros

A igreja, como uma entidade, é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho. Propriamente, a pessoa qualifica-se para ser membro de igreja por ser nascida de Deus e aceitar voluntariamente o batismo. Ser membro de uma igreja local, para tais pessoas, é um privilégio santo e um dever sagrado. O simples fato de arrolar-se na lista de membros de uma igreja não torna a pessoa membro do corpo de Cristo. Cuidado extremo deve ser exercido a fim de que sejam aceitas como membros da igreja somente as pessoas que dêem evidências positivas de regeneração e verdadeira submissão a Cristo.

Ser membro de igreja é um privilégio, dado exclusivamente a pessoas regeneradas que voluntariamente aceitam o batismo e se entregam ao discipulado fiel, segundo o preceito cristão.

3- Suas ordenanças

O batismo e a ceia do Senhor são as duas ordenanças da igreja. São símbolos, mas sua observância envolve fé, exame de consciência, discernimento, confissão, gratidão, comunhão e culto. O batismo é administrado pela igreja, sob a autoridade do Deus triúno, e sua forma é a imersão daquele que, pela fé, já recebeu a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Por esse ato o crente retrata a sua morte para o pecado e a sua ressurreição para uma vida nova.

A ceia do Senhor, observada através dos símbolos do pão e do vinho, é um profundo esquadrinhamento do coração, uma grata lembrança de Jesus Cristo e sua morte vicária na cruz, uma abençoada segurança de sua volta e uma jubilosa comunhão com o Cristo vivo e seu povo.

O batismo e a ceia do Senhor, as duas ordenanças da igreja, são símbolos da redenção, mas sua observância envolve realidades espirituais na experiência cristã.

4- Seu governo

O princípio governante para uma igreja local é a soberania de Jesus Cristo. A autonomia da igreja tem como fundamento o fato de que Cristo está sempre presente e é a cabeça da congregação do seu povo. A igreja, portanto, não pode sujeitar-se à autoridade de qualquer outra entidade religiosa. Sua autonomia, então, é válida somente quando exercida sob o domínio de Cristo.

A democracia, o governo pela congregação, é forma certa somente à medida que, orientada pelo Espírito Santo, providencia e exige a participação consciente de cada um dos membros nas deliberações do trabalho da igreja. Nem a maioria, nem a minoria, tampouco a unanimidade, reflete necessariamente a vontade divina.

Uma igreja é um corpo autônomo, sujeito unicamente a Cristo, sua cabeça. Seu governo democrático, no sentido próprio, reflete a igualdade e responsabilidade de todos os crentes, sob a autoridade de Cristo.

5- Sua relação para com o estado

Tanto a igreja como o estado são ordenados por Deus e responsáveis perante ele. Cada um é distinto; cada um tem um propósito divino; nenhum deve transgredir os direitos do outro. Devem permanecer separados, mas igualmente manter a devida relação entre si e para com Deus. Cabe ao estado o exercício da autoridade civil, a manutenção da ordem e a promoção do bem-estar público.

A igreja é uma comunhão voluntária de cristãos, unidos sob o domínio de Cristo para o culto e serviço em seu nome. O estado não pode ignorar a soberania de Deus nem rejeitar suas leis como a base da ordem moral e da justiça social. Os cristãos devem aceitar suas responsabilidades de sustentar o estado e obedecer ao poder civil, de acordo com os princípios cristãos.

O estado deve à igreja a proteção da lei e a liberdade plena, no exercício do seu ministério espiritual. A igreja deve ao estado o reforço moral e espiritual para a lei e a ordem, bem como a proclamação clara das verdades que fundamentam a justiça e a paz. A igreja tem a responsabilidade tanto de orar pelo estado quanto de declarar o juízo divino em relação ao governo, às responsabilidades de uma soberania autêntica e consciente, e aos direitos de todas as pessoas. A igreja deve praticar coerentemente os princípios que sustenta e que devem governar a relação entre ela e o estado.

A igreja e o estado são constituídos por Deus e perante Ele responsáveis. Devem permanecer distintos, mas têm a obrigação do reconhecimento e reforço mútuos, no propósito de cumprir-se a função divina.

6- Sua relação para com o mundo

Jesus Cristo veio ao mundo, mas não era do mundo. Ele orou não para que seu povo fosse tirado do mundo, mas que fosse liberto do mal. Sua igreja, portanto, tem a responsabilidade de permanecer no mundo, sem ser do mundo. A igreja e o cristão, individualmente, têm a obrigação de opor-se ao mal e trabalhar para a eliminação de tudo que corrompa e degrade a vida humana. A igreja deve tomar posição definida em relação à justiça e trabalhar fervorosamente pelo respeito mútuo, a fraternidade, a retidão, a paz, em todas as relações entre os homens, raças e nações. Ela trabalha confiante no cumprimento final do propósito divino no mundo.

Esses ideais, que têm focalizado o testemunho distintivo dos batistas, choca-se com o momento atual do mundo e em crucial significação. As forças do mundo os desafiam. Certas tendências em nossas igrejas e denominação põem-nos em perigo. Se esses ideais servirem para inspirar os batistas, com o senso da missão digna da hora presente, deverão ser relacionados com a realidade dinâmica de todo o aspecto de nossa tarefa contínua.

A igreja tem uma posição de responsabilidade no mundo; sua missão é para com o mundo; mas seu caráter e ministério são espirituais.

sábado, 6 de setembro de 2008

Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira - Parte V

O papel da Igreja e o entendimento sobre o Reino de Deus são aspectos essenciais ao pensar teológico. Portanto, seguem os entendimentos da CBB sobre esse dois artigos:

VII – Reino de Deus
O reino de Deus é o domínio soberano e universal de Deus e é eterno.1 É também o domínio de Deus no coração dos homens que, voluntariamente, a ele se submetem pela fé, aceitando-o como Senhor e Rei. É, assim, o reino invisível nos corações regenerados que opera no mundo e se manifesta pelo testemunho dos seus súditos.2 A consumação do reino ocorrerá com a volta de Jesus Cristo, em data que só Deus conhece, quando o mal será completamente vencido e surgirão o novo céu e a nova terra para a eterna habitação dos remidos com Deus.3
1. Dan. 2:37-44; Is. 9:6,7
2. Mat. 4:17; Luc. 17:20; 4:43; João 18:36; 3:3-5
3. Mat. 25:31-46; I Cor. 15:24; Apoc. 11:15

VIII – Igreja
Igreja é uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido que a palavra "igreja" é empregada no maior número de vezes nos livros do Novo Testamento.1 Tais congregações são constituídas por livre vontade dessas pessoas com finalidade de prestarem culto a Deus, observarem as ordenanças de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua e para a propagação do evangelho.2 As igrejas neotestamentárias são autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pelas palavras de Deus, sob a orientação do Espírito Santo.3 Há nas igrejas, segundo as escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se com as demais igrejas da mesma fé e ordem e cooperar, voluntariamente, nas atividades do reino de Deus. O relacionamento com outras organizações, quer seja de natureza eclesiástica ou outra, não deve envolver a violação da consciência ou o comprometimento da lealdade a Cristo e sua palavra. Cada igreja é um templo do Espírito Santo.4 Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra "igreja" em que ela aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo e sobre ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns do reino de Deus.5
1. Mat. 18:17; At. 5:11; 20:17-28; I Cor. 4:17
2. At. 2:41,42
3. Mat. 18:15-17
4. At. 20:17,28; Tito. 1:5-9; I Tim. 3:1-13
5. Mat. 16:18; Col. 1:18; Heb. 12:22-24; Ef. 1:22,23

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Vida em Comunhão


"Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!" Salmo 133:1

Dietrich Bonhoeffer, um dos líderes da Igreja Confessante e professor de teologia no Seminário clandestino de Finkenwalde, conheceu bem tanto a comunhão da igreja, quanto a solidão da prisão pelo regime nazista, por isso expressa em sua obra a verdadeira dávida que é um cristão viver entre seus irmãos na fé. De sua experiência de vida comunitária no Seminário, resultou o que seria uma das obras mais relevantes desse grande teólogo do século XX e uma das obras clássicas sobre o assunto.

Vida em comunhão é um livro que aponta para os fundamentos e problemas da convivência eclesiática. O principal fundamento da comunhão entre os crentes é a redenção operada por Jesus Cristo. Ele é a cabeça da Igreja e nós, membros de Seu corpo, só podemos conviver de maneira saudável observando as ordens do mestre. Sendo assim, o principal entrave à comunhão é que passemos a querer moldar a Igreja conforme nossos próprios ideais, por mais nobres que sejam. Quando fazemos isso, impomos nossas imperfeitas pré-compreensões sobre como deve ser a comunidade aos outros, o que gera conflitos - quando, por exemplo, o ideal de Igreja de um membro afronta o ideal de outro membro - e uma postura demasiado crítica e prejudicial, quando a Igreja acaba não atingindo os ideais imaginados. O único vínculo e bem comum da Igreja é Jesus Cristo, nosso Salvador, afirma Bonhoeffer. Por isso, devemos sonhar juntos para igreja os sonhos de Cristo.

O teólogo alemão também aponta para práticas que uma igreja deve sempre cultivar, como a oração coletiva, a leitura da Palavra, o partilhar da ceia e a confissão dos pecados uns aos outros. Bonhoeffer afirma que é triste o estado de uma igreja que não está intimamente familiarizada com as Escrituras Sagradas, quando são elas que dão a direção para vida cristã.

Por fim, Bonhoeffer adverte que o cristão deve ter também um momento de solidão diário para a meditação na Palavra e para a oração, devendo lembrar-se sempre de interceder pelos membros da comunidade e pela comunidade com um todo. Uma pessoa que não suporta a solidão certamente ainda não está pronto para a comunhão e vice-versa. A postura de dependência em relação à presença física dos irmãos pode ser sintoma de problemas, pois a comunhão nem sempre é a regra na vida dos cristãos. De igual forma, a misantropia não é a postura correta diante do forte caráter comunitário de que se reveste o cristianismo.

Trata-se de um livro curto, de linguagem bastante acessível ao leitor brasileiro e faz parte do acervo de nossa biblioteca