sexta-feira, 23 de julho de 2010
Trailer do documentário Viva Igreja
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A Formação do Novo Testamento

Ao contrário do que se possa pensar, a Sagrada Escritura não existiu sempre na forma como existe hoje. Ela possui uma longa história de estudos lingüísticos, históricos e arqueológicos, tradição e discussão doutrinária. O livro A Formação do Novo Testamento é uma introdução à história do cânon neotestamentário. Seu autor, um dos maiores especialistas no assunto no século XX, explica como o texto que temos hoje foi compilado a partir de uma diversidade de manuscritos que datam do século III até o século XII, explica as principais características das diversas famílias de documentos e variantes redacionais que chegaram até nós, e dabate brevemente sobre a sua confiabilidade, atestando que se trata de um dos documentos mais bem conservados da antigüidade.
Em seguida, analisa os aspectos contextuais de cada um dos 27 documentos que formam o material neotestamentário, discutindo a sua autoria, datação, geografia e principais idéias teológicas. Para tanto, o autor levanta os argumentos que apóiam as várias teorias a respeito dos temas problemáticos do cânon, como o problema sinótico, a legitimidade do Evangelho de João, a autoria das Epístolas Pastorais e das Universais, etc.
Por fim, o autor conclui pela unidade teológica fundamental dos componentes do cânon, que seria expressa pela idéia da participação individual e coletiva na História da Salvação que se desenrola desde a criação do mundo até o seu ponto culminante na história, a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e adiante até consumação da história com a segunda vinda de Cristo.
Trata-se de um livro didático, sucinto e preciso, ideal para leitores leigos e iniciantes no estudo da Teologia a da História do Novo Testamento.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Padres Apologistas

Muitos boatos corriam, nos primeiros séculos da Era Cristã, a respeito das práticas da Igreja. A maioria deles, fruto da ignorância em relação ao verdadeiro significado da simbologia cristã, era usada maliciosamente para justificar a perseguição e a difamação contra os convertidos.
Uma noção comum entre os membros da elite intelectual greco-romana era a de que o cristianismo era uma religião de homens ignorantes, iletrados, herdeiros de uma cultura inferior. Embora fosse verdade que a religião cristã tenha se espalhado inicialmente entre pessoas com pouca educação formal, não tardou que vários homens cultos, formados na erudição helenista, se convertessem. Alguns desses homens se aplicaram a elaborar defesas da doutrina e da conduta da Igreja com a finalidade de convidar os homens cultos e os membros do aparato governamental do Império Romano a conhecer melhor os ensinamentos de Cristo e a cessar as hostilidades para com os cristãos. Os documentos produzidos com esse fim ficaram conhecidos como apologias e, por consequência, seu autores como Pais ou Padres Apologistas.
Pode-se identificar uma estrutura comum aos argumentos das apologias dos séculos II e III. Havia, em primeiro lugar, a preocupação em refutar cada uma das acusações infundadas dirigidas contra a conduta da Igreja. Dizia-se que os cristãos eram: promíscuos, por conta da forte ênfase na prática do amor e - ao que parece - pelo costume de saudarem-se uns aos outros com o ósculo santo; antropófagos, por "comerem a carne e o sangue de seu mestre" em uma celebração "macabra"; e ateus, por não cultuarem um deus representado em uma imagem de escultura e por não possuírem um aparato cerimonial litúrgico elaborado. Em relação a todas esses questões, uma simples leitura do ensinamentos evangélicos a respeito da violência, da sexualidade e da presença de Deus no mundo eram suficientes para afastar qualquer dúvida quanto a essas calúnias que eram frutos risíveis dos preconceitos contra a nova religião.
Em segundo lugar, os apologistas se ocupavam em refutar as concepções religiosas politeístas, especialmente as de matriz grega. Nesse trabalho, os apologistas enfatizavam a imoralidade escandalosa dos deuses gregos, com o argumento de que: se os deuses não conseguem regular suas próprias condutas, como poderão instituir ou mesmo inspirar uma conduta moral? Contra os deuses egípcios, os apologistas demonstravam o absurdo de cultuar animais como deuses, considerando que eles são tão corruptíveis quanto o resto da criação. Contra os deuses caldaicos, estava o fato de que as divindades eram confundidas com estátuas fabricadas pelas próprias mãos de artífices humanos. Contra aqueles que identificavam Deus com os elementos da natureza, como a água, o fogo ou o ar, estava o fato de que os elementos são corruptíveis e contigentes estando submetidos a uma ordem, o que caracteriza a criação e não o criador. Ademais, os apologistas criticavam a decadência dos costumes do Império Romano com a popularidade de espetáculos sangrentos como a luta de gladiadores.
Em terceiro lugar, havia os argumentos em favor da doutrina cristã. Nessa época, o argumento principal para a existência de Deus era a constatação de que a natureza possuiu uma ordem, o que demandaria a existência de um ordenador criativo e inteligente capaz de estabelecer tal ordem. Trata-se de um primeiro esboço do famoso argumento do design. Outro argumento, era baseado na corruptibilidade da matéria: se a matéria criada é corruptível, seria necessária a existência de um Deus incorruptível e independente da matéria para criá-la. Por fim, havia também o argumento baseado na antiguidade. Segundo os apologistas, os relatos bíblicos a respeito das origens do mundo eram mais antigas e coerentes do que as teogonias dos poetas gregos como Homero e Hesíodo.
Em último lugar, as apologias mostravam que a conduta dos cristãos, longe de ser destrutiva para a sociedade, era benéfica, pois eles pregavam a obediência às leis, a honestidade, a castidade, o serviço e a vida simples e honrada. O primeiros apologistas conferiam um peso primordial ao testemunho de vida dos indivíduos e das comunidades cristãs. Isso porque o modo de vida da Igreja era tão diferente e tão desejável que maior argumento em favor do cristianismo não haveria do que simplesmente observar o amor que florescia nela. Nesse sentido são muito significativas as palavras da Carta a Diogneto:
"Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por sua língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é a pátria deles, e cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em conjunto, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio". (p. 22-23)
Embora haja essa convergência entre os diversos apologistas em relação à estrutura básica de suas defesas, é incorreto pensar que há uma homogeneidade. Já nessas primeiras obras de apologética, começa a surgir um dos debates que se estenderia por muitos séculos, que consiste na relação entre filosofia e revelação. Atenágoras e Justino, por exemplo, se mostravam simpáticos à incorporação dos raciocínios filosóficos à estrutura do pensamento teológico. Já Taciano e Teófilo exemplificam a corrente teológica que demonstra profunda antipatia contra a filosofia grega, que irá culminar com a célebre posição de Tertuliano: "o que Atenas tem haver com Jerusalém?".
Devemos aos Pais Apologistas a fundação de uma disciplina presente até o hoje no ensino e na prática da Teologia: a Apologética. Além disso, por exigirem uma exposição sistemática e coerente das proposições a respeito de Deus e de sua relação com os homens, as apologias foram muitíssimo relevantes no desenvolvimento posterior da teologia cristã.
Para aqueles que têm interesse em Apologética e em História da Igreja, o livro Padres Apologistas é leitura obrigatória!
Para mais informações a respeito da Igreja nos primeiros séculos conferir:
Daniel-Rops, Henri. Igreja dos apóstolos e dos mátires. São Paulo: Quadrante, 1991.
González, Justo. Era dos mártires. São Paulo: Vida Nova, 2005.
Latourette, Kenneth Scot. Uma história do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2006
sábado, 19 de setembro de 2009
A Igreja é maior do que você pensa

“A igreja foi planejada por Deus na Eternidade, antes do princípio do tempo, e seu destino é estar com Deus para toda a Eternidade, quando o tempo não mais existir. Somos parte do corpo eterno. Neste instante, já somos habitantes da Eternidade. Intercessão é uma atividade que entra em contato com a eternidade e a ela pertence.”
“Poucos perceberam o tremendo crescimento e expansão da Igreja em toda a sua diversidade e ministérios pelo século XX. (...)
Meu objetivo é lançar um desafio referente à tarefa de evangelização mundial a ser completada no século XXI, demonstrando que embora esteja inacabada, é possível terminá-la, e terminá-la em breve se nos mobilizarmos. Meu desejo é ver um envolvimento mais intenso e abrangente das igrejas, em resposta entusiasmada à Grande Comissão.”
“...nossa percepção do que constituem as estruturas da Igreja tem sido moldada por uma teologia inadequada e por padrões distorcidos... Seus efeitos tem sido a marginalização ou eliminação da visão e dos mecanismos de evangelização mundial. Meu objetivo é que nos arrependamos dos fracassos passados e corrijamos aquilo que for deficiente em cada esfera da vida da igreja, para que nos tornemos mais eficazes em missão.”
sábado, 20 de junho de 2009
Lições dos Pais da Igreja

O livro Padres Apóstólicos traz uma coleção de escritos atribuídos aos famosos pais ou padres apostólicos, que ganham esse nome por terem sido discípulos diretos dos doze apóstolos. Os textos expõem a imagem de uma igreja zelosa em cumprir as escrituras e em manter-se unida em amor, praticando o que é agradavel aos olhos de Deus. Trata-se de uma igreja que procurava não perder de vista sua condição de peregrina sobre a terra, como confirma a saudação de Clemente de Roma em sua carta a Igreja de Corinto : "A Igreja de Deus que vive como estrangeira em Roma. para a Igreja de Deus que vive como estrangeira em Corinto". Além disso, trata-se de uma igreja que tinha sempre presente a verdade escatológica da segunda vinda de Jesus e que, por isso, estava preocupada sempre em estar preparada para o glorioso evento, assim como a noiva prudente da parábola evangélica.
Sob muitos aspectos, a Igreja Primitiva é um exemplo para a Igreja Contemporânea, porém devemos observar a advertência de Eclesiastes 7: 10: "Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do estes? Pois não é sábio perguntar assim". A Igreja Primitiva também tinha problemas muito semelhantes aos da Igreja em nosso tempo, como pode ser verificado da leitura do livro. Havia na Igreja, conforme notado por Clemente, Inácio e Policarpo, um grande problema em relação ao respeito à autoridade espiritual dos líderes (bispos, pastores, diáconos, presbíteros). Muitos, naquele tempo assim como no nosso, mostravam-se desrespeitosos e desobedientes em relação à autoridade constituída por Deus nas igrejas locais. Na maioria das vezes, essa dureza de coração dos primeiros cristãos resultava em facciosismo, conforme já havia sido percebido por Paulo principalmente em suas cartas a Igreja de Corinto. Ademais, as falsas doutrinas já proliferavam naquela época, especialmente aquelas relacionadas com a divindade de Jesus. Um ponto comum em quase todos os escritos dos chamados Pais Apóstólicos é a preocupação em reafirmar que Jesus Cristo é o Verbo de Deus encarnado para a salvação dos pecados e em alertar contra qualquer um que dissesse o contrário.
Por fim, os textos dos Pais Apostólicos são documentos importantíssimos para o estudo da História de Igreja Cristã, além de serem um testemunho da fidelidade e perseverança daqueles que, em meio às cruéis perseguições do Império Romano, semearam o evangelho com suor e sangue, sob a direção do Espírito Santo.
domingo, 30 de novembro de 2008
As origens intelectuais da Reforma

Freqüentemente, a historiografia marxista ensinada, de modo geral, nas escolas tende a identificar no movimento reformador somente um reflexo do fortalecimento da burguesia no final da Idade Média e sua ideologia conflitante com a proibição da usura e com a visão negativa em relação ao lucro sustentada pela Igreja Católica. McGrath admite que os fatores econômicos e sociais sejam de fato determinantes na dinâmica da história, mas tem uma visão mais global da história do que o economicismo marxista. Sendo assim, McGrath identifica a Reforma do século XVI como um movimento primordialmente intelectual surgido dentro das Universidades do Norte da Europa. Segundo McGrath, o Humanismo e o resgate da teologia Agostiniana no final da Idade Média são as principais inspirações da teologia da reforma.
Embora a Reforma não seja um movimento uniforme (McGrath analisa as diferenças entre a ala reformada e a ala luterana), seu escopo estava em fazer renascer o cristianismo da Igreja Primitiva e em fazer um retorno às fontes da verdadeira teologia, especialmente à interpretação mais adequada da Escrituras Sagradas.
O livro de McGrath, apesar de ser um livro fortemente acadêmico e rigoroso, é escrito em uma linguagem acessível e esclarece muito o tema da Reforma. De modo algum a monografia de McGrath esgota o tema, mas certamente nos leva a pensar mais sobre esse movimento do qual somos todos tributários
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
E até os confins da terra

É assim que Justo Gonzáles fundamenta sua investigação da História do Cristianismo que foi compilada na coleção: E até os confins da Terra: Uma História Ilustrada do Cristianismo. Segundo Gonzáles, a história da igreja é parte da auto-biografia de todo o cristão. Saber como a palavra de Deus foi ensinada de geração em geração pela obra de homens movidos de Espírito Santo de Deus até nós é uma parte especial do conhecimento que temos sobre nós mesmos
A coleção do teólogo cubano se destaca pela fluência de sua linguagem e pela forma didática com que aborda a maioria dos movimentos de personalidades que influíram na caminhada cristã da história. Trata-se de uma leitura verdadeiramente agradável. A coleção está dividida em 10 volumes cada um deles abrangendo cerca de dois séculos da História do Cristianismo. Cada volume conta com um titulo que capta a atmosfera da época. Os volumes intitulam-se em ordem: A era dos mártires, A era dos gigantes, A era das trevas, A era dos altos ideais, A era dos sonhos frustrados, A era dos reformadores, A era dos conquistadores, A era dos dogmas e das dúvidas, A era dos novos horizontes e A era inconclusa.
A coleção está recheada de ilustrações que facilitam o entendimento da situação histórica e da biografia dos grandes personagens históricas. Os livros têm em média 160 páginas e estão todos no acervo de nossa biblioteca. A coleção é recomendada a todos.