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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Closer to Truth


Um recurso interessante para quem tem interesse em teologia e filosofia da religião, bem como na relação entre ciência e religião é o programa de entrevistas Closer to Truth apresentado por Robert Lawrence Kuhn. Os episódios estão disponíveis livremente no site do programa. Cada episódio traz uma entrevista com especialistas nos temas cosmos, consciência e Deus. Já foram entrevistados filósofos e teólogos como Alvin Plantinga, Richard Swinburne, William Lane Craig, Oliver Crisp, Peter Van Inwagen, Alister McGrath entre outros. O site disponibiliza busca por convidado e por tema.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Curso de extensão: Aconselhamento Familiar


Além do curso "Panoramana bíblico", a Faculdade Teológica Batista de Brasília está promovendo também o curso "Aconselhamento Familiar" com cargo horária de 40 horas/aula e certificado. O curso abordará os seguintes temas: Estratégias de intervenção em famílias disfuncionais; Família, conceito, história, desenvolvimento e ciclo vital; Bases bíblico-teológicas da família; Ferramentas para o aconselhamento familiar e; Estudos de caso. 

Para inscrições, o intessado deve entrar em contato com a secretaria da Faculdade nos telefones (61) 3272-1136 e (61) 3273-5576 ou no e-mail secretaria@ftbb.edu.br.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Agora sim!

Depois de muito tempo fora das resenhas da Biblioteca, volto a comentar sobre a nova leva de aquisições deste ano. E começo desta vez com o livro “Agora sim - teologia na prática do começo ao fim”, de Luiz Sayão, pela Voxlitteris. 

 “Nesta obra, com muita ponderação e bom senso, Luiz Sayão discute temas importantes como ética, racismo, fatalismo, liberalismo, misticismo, teologia bíblica, teologia da família, teologia/ sociedade e história da igreja de maneira simples, objetiva, criativa e bem-humorada” 

De certa forma, o autor consegue fazer isto e algo mais, até como visto em programas onde é produtor e apresentador, como o “Rota 66”, programa de rádio desenvolvido pela Rádio TransMundial e que também está disponível na seção de CD´s e DVD´s de nossa biblioteca.

Enfim, vale a pena a leitura deste livro, principalmente numa época onde é apregoado que teologia é muito complicado.

Por Giuseppe Miceli Jr.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os novos rumos da Teologia

Teologia: Ciência e Profissão (A identidade, a formação e o campo de atuação profissional do teólogo no Brasil)

Priscila Rocha

O livro a “Teologia: Ciência e Profissão” é uma obra coletiva composta por trabalhos de especialistas que analisam a difícil convivência da velha ciência teológica com a educação superior no Brasil. Além disso, sugere outro avanço no estudo científico da religião entre nós: a emancipação científica e acadêmica das ciências da religião, que na opinião deles poderão contribuir mutuamente para o progresso teórico e prático do conhecimento da dinâmica do campo religioso brasileiro, assim como do compromisso das instituições religiosas com a sociedade.

De acordo com o livro, a teologia no Brasil, passou a ganhar respeito acadêmico a partir do forte impacto da Teologia da Libertação, movimento intelectual que percorre toda a América Latina a partir dos anos 60 do século passado, estimulado principalmente pelas ditaduras militares que assolaram o Continente naquele período.

Profissão

Para o especialista, Antonio Maspoli de Araújo Gomes, algumas habilidades necessárias para o exercício da profissão do teólogo referem ao fazer teológico e outras se reportam ao próprio teólogo. Segundo ele o teólogo trabalha com a certeza de que sua condição de compreensão do universo é aceitar submeter seu saber e suas dúvidas ao crivo da sabedoria de Deus. Deve compreender que o mundo amado por Deus compreende a ordem de coisas que se rebelou contra o criador. Isto é, precisa estar equipado para a solidariedade e engajamento no mundo. “O teólogo deve caminhar com Deus na caminhada do povo de Deus sem preconceito de sexo, raça, religião ou classe social. Trabalha com a certeza de que sua condição de compreensão do universo é aceitar submeter seu saber e suas dúvidas ao crivo da Sabedoria de Deus”, explica. Antonio Maspoli observa, também, que a teologia deve se colocar a serviço da transformação da realidade social.

Reconhecimento

O professor Ronaldo Cavalcante diz que o reconhecimento dos cursos de teologia no Brasil já é uma realidade consolidada, especialmente agora com o Parecer 0063/2004 do CNE/CES em que se contempla a integralização daqueles créditos cursados nos cursos livres de teologia (seminários) em cursos de teologia reconhecidos. Situação nova que gradativamente vai colocando a teologia oficialmente dentro do mundo acadêmico e universitário Brasileiro: “Em lugar de uma teologia dogmática e finalista, inscreverá no ‘cardápio’ universitário uma teologia hermenêutica aberta e arejada, cuja tarefa é a de encontrar, recuperar e valorizar o seu texto sagrado - sua palavra”.

Ciência

Já o Pós Doutor em história das idéias, Osvaldo Henrique Hack, argumenta que estudar teologia não é um privilégio de quem busca a vida religiosa como opção vocacional: “Os cursos de teologia ou de ciências da religião oferecidos nas universidades, estabelecimentos de ensino superior, formarão bacharéis habilitados para exercer a vida profissional no magistério, no campo da ética ou na liderança religiosa de suas comunidades”. Hack argumenta que a teologia deve ser entendida como uma área de conhecimento tão necessária e importante como a antropologia, a filosofia ou a psicologia.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Introdução à Teologia Evangélica


Não há dúvida a respeito da grandiosa influência da teologia de Karl Barth. Aplaudido e criticado, Barth traçou uma carreira brilhante como pastor, pensador e, sobretudo, como professor universitário. A obra Introdução à Teologia Evangélica é o resultado da última preleção do teólogo suíço como professor na Basiléia. Ao mesmo tempo em que a obra resume e esclarece vários pontos da doutrina barthiana, aconselha os neófitos a respeito dos desafios, dificuldades e vantagens da vocação.


Para Barth, a Teologia é a disciplina, comumente caracterizada como científica, que tem por objeto o conhecimento a respeito de Deus. Porém, o termo "Deus" está longe de ser inequívoco. De fato, ele afirma: "Não existe ser humano que, de maneira consciente, inconsciente ou subconsciente, não tenha seu Deus ou deuses como objeto de seu desejo e confiança mais elevados, como base de sua vinculação e compromisso mais profundos". Sendo assim, muitas das ideologias que se autoproclamam atéias, seriam, na verdade, diferentes formas de teologia. A teologia que Barth procura introduzir é a teologia evangélica, entendida como aquela que está ligada diretamente à revelação testificada nas Escrituras Sagradas e, em especial, nas páginas do Novo Testamento e também à sua redescoberta pelos Reformadores no século XVI.

Segundo Barth, a característica principal da teologia evagélica é a modéstia. A teologia só pode tratar de Deus na medida em que o próprio Deus se revela e se volta para a existência humana. Se alguma teologia pode ser feita, deriva suas condições de possibilidade do fato de que o próprio Deus toma a iniciativa de se manifestar. A razão e o engenho humanos não podem por suas próprias forças "aproximar-se" do objeto da ciência teológica.

Além disso, a teologia evangélica é livre, porque raciocina com base em três premissas básicas: na existência do homem confrontada com a revelação; na fé desses seres humanos, que foram dotados com a vontade e a capacidade de reconhecerem a revelação como favorável; e na razão, que permite a cognição teológica. Todas essas premissas se submetem ao fato que Deus é a medida do próprio conhecimento teológico e não o homem. Sendo assim, o assunto da teologia não está preso aos parâmetros humanos, mas age livremente.

Também, a teologia é uma ciência crítica, pois enfrenta continuamente à crise de estar exposta ao seu objeto e por ter de se reformular continuamente, em razão da experiência contínua e dinâmica da auto-revelação.

E, por último, a teologia evangélica é uma ciência alegre, já que reconhece que Deus age continuamente em favor do homem e deseja relacionar-se amorosamente com ele.

Barth reconhece a importância das Escrituras Sagradas como testemunha da Palavra de Deus, que no vocabulário de Barth equivale à auto-revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Afirma que a Teologia está abaixo das Escrituras e não pode ignorar sua autoridade vinculante como fonte preferencial dos estudos. Porém, não deixa de reconhecer o papel central da comunidade (igreja) e especialmente do Espírito Santo na elaboração teórica e na compreensão existencial pessoal da Boa Nova.

O papel do teólogo concentra em si uma grande responsabilidade. Não é possível ao teólogo permanecer neutro ou imparcial ao seu assunto. Pelo contrário, o conhecimento de Deus gera um abalo que motiva o comprometimento.

Finalmente, o conselho de Barth a todos aqueles que foram chamados ao labor teológico é que cultivem continuamente a oração, o serviço o estudo e o amor.

domingo, 7 de março de 2010

Teantropologia

"A teologia evangélica não ignora que o Deus do evangelho se acha voltado para a existência humana, que ele realmente desperta e chama o ser humano à fé e que com isso reivindica e ativa a totalidade do potencial intelectual humano (e não só o seu potencial intelectual). Mas esse fato apenas suscita o interesse da teologia na medida em que ela se interessa, com prioridade absoluta, por Deus mesmo. Ela raciocina e argumenta sob a premissa dominante da revelação da existência e soberania de Deus. Caso quisesse proceder de forma contrária, tentando expor Deus ao critério do ser humano, em vez de expor o ser humano ao critério de Deus, ela seria vítima do cativeiro babilônico de antropologias, antologias e noologias, i. é, de qualquer interpretação antecipada da existência, da fé e do potencial intelectual do ser humano. A teologia evangélica não é forçada nem autorizada a enveredar por tal caminho. Ela sabe esperar, correndo o risco da fé, para verificar como a existência, a fé e a capacidade intelectual do ser humano, como seu ser e sua autocompreensão, em confronto com o Deus do evangelho, superior à existência humana, venham a revelar-se."

Barth, Karl. Introdução à Teologia Evangélica. Tradução de Lindolfo Weingärtner. 5ª edição revisada, São Leopoldo: Sinodal, 1996, p. 12

terça-feira, 24 de março de 2009

O Peso de Glória


O livro O Peso de Glória é um conjunto de palestras e sermões proferidos por C. S. Lewis na época da segunda guerra mundial, abordando vários temas, com especial destaque para a relação do cristão com os conflitos bélicos e para a realidade do céu e do inferno.

O principal sermão do livro é o que dá nome à coletânea e contém um estudo sobre o que significa o galardão final do crente e sobre como a idéia de recompensa é compatível com o cristianismo ao contrário do ascetismo defendido por alguns ramos da filosofia e introduzido por contrabando no cristianismo. É nesse ensaio em específico que John Piper se inspira para a construção de seu hedonismo cristão.

As duas preleções subseqüentes tratam da postura ética do cristão em tempos de guerra. Em Porque eu não sou um pacifista, C. S. Lewis enfrenta as questões éticas que dizem respeito à guerra: seria a guerra sempre um mal? Atender à convocação oficial para apresentação para a o serviço militar durante a guerra é imoral? Lewis argumenta que o conflito armado é somente uma concretização do estado constante dos seres humanos como criaturas decaídas. Estamos sempre em batalhas, sendo que a mais importante é a batalha entre o bem e o mal, entre o céu e o inferno que ocorre diariamente em nossas vidas. Sendo assim, não há, em princípio, um problema ético essencial em relação à atitude do soldado que atende ao chamado de sua pátria (C. S. Lewis mesmo havia lutado na I Guerra Mundial). Do mesmo modo, para os que não partem para a batalha, não há motivo para a suspensão das atividades da vida durante o período de guerra, Lewis fala, especialmente, da desnecessidade de interromper produção de conhecimento e de arte. Ressalta-se, porém, que a filosofia e a arte do cristão devem ser sempre, segundo Lewis, aplicados para gerar um entendimento e uma visão de mundo que reflitam a verdade do evangelho.

Em Teologia é Poesia?, Lewis argumenta brilhantemente a favor de um método teológico que expresse verdades e não simplesmente satisfaça a imaginação, e critica a posição em que o naturalismo materialista de intelectuais como H. G. Wells e o liberalismo teológico colocam a Teologia. Nesse precioso texto, C. S. Lewis argumenta que a teologia, como ramo do conhecimento, pode abrigar em seu seio outras formas de conhecimento, como a própria ciência. Em Um deslize da língua e em Acerca do Perdão, Lewis aborda temas centrais do cristianismo em sermões breves, porém profundos. Em Transposição, Lewis fala sobre os dons espirituais e sobre a ação sobrenatural de Deus na terra.

Todas as preleções foram proferidas com a simplicidade e clareza de pensamento que são características desse grande teólogo, talvez o mais influente do século XX. A leitura do livro é recomendada a todos.

"Acredito no Cristianismo assim como eu acredito que o sol nasceu: não só porque o vejo, mas porque através dele eu vejo todas as coisas" C.S. Lewis