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sábado, 30 de julho de 2011

Amor e Crença


Amor e Crença é um poema excepcional na obra de Augusto dos Anjos. O poeta paraibano, certamente um dos maiores poetas do Brasil e do mundo, tem como característica marcante a melancolia. Freqüentemente seus poemas estão recheados de imagens repugnantes de putrefação, de escarro, de doença, de morte. Contudo, nesse poema o autor irrompe em uma série de reflexões sobre quem é Deus com usual eloqüência, mas sem o vocabulário científico carregado e sem as costumeiras imagens sombrias. Segundo a lírica de Augusto dos Anjos, Deus é infinito, santo, encantador, poderoso, imenso - conforme testifica a natureza - e amoroso.

Por boa parte da crítica literária, Augusto dos Anjos foi tomado por um poeta que abraçava o materialismo naturalista que passava a dominar a cultura européia no final do século XIX e início do XX. Todavia, cada vez mais transparecem os motivos religiosos e a expressão do sagrado que compõem parte importante da obra desse poeta singular. Para informação mais aprofundada a respeito dos elementos religiosos na poética do poeta paraibano recomendo a leitura de: ALEIXO, Elvis Brassaroto. A expressão do sagrado budista na poesia de Augusto dos Anjos. Campinas: [s.n.], 2008. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=vtls000443616

Amor e crença
Por Augusto dos Anjos

E sê bendita!
H. Sienkiewicz


Sabes que é Deus?! Esse infinito e santo
Ser que preside e rege os outros seres,
Que os encantos e a força dos poderes
Reúne tudo em si, num só encanto?

Esse mistério eterno e sacrossanto,
Essa sublime adoração do crente,
Esse manto de amor doce e clemente
Que lava as dores e que enxuga o pranto?!

Ah! Se queres saber a sua grandeza,
Estende o teu olhar à Natureza,
Fita a cúp’la do Céu santa e infinita!

Deus é o templo do Bem. Na altura Imensa,
O amor é a hóstia que bendiz a Crença,
ama, pois, crê em Deus, e... sê bendita!

terça-feira, 11 de maio de 2010

À Coroa de Espinhos

Agostinho da Cruz (1540-1619) é o nome pelo qual ficou conhecido o poeta português Agostinho Pimenta, Frei da ordem de São Francisco. Sua poesia ficou marcada pelo fervor espiritual com que traduzia suas experiências com Deus para os versos. O poema transcrito fala da pureza do amor de Cristo, que, mesmo rejeitado, entregou-se para a redenção daqueles que o haviam desprezado. Morto de amor, Cristo de amor mata a morte, a maldição antiga. A coroa de espinhos, que dá título ao poema, simboliza essa dinâmica: os espinho que ferem o Senhor, são então destruídos.
À coroa de espinhos
Agostinho da Cruz


A que vindes, Senhor do Céu à terra,
Terra que sendo vossa vos enjeita,
E que tanto vos honra e vos respeita,
Que em não vos receber insiste e emperra?

Ah! Quanta ingratidão nela s’encerra!
Quão mal de vossa vinda se aproveita!
Pois se põe a tomar-vos conta estreita,
Mais brada contra vós, quanto mais erra.

E vós de vosso amor puro forçado
Os malditos espinhos lhe pisais,
Dos quais ainda sendo coroado,

A maldição antiga lhe trocais
Na bênção, que lhe dais crucificado,
Quando morto d’amor, d’amor matais.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Relacionamentos - Amor é ação!

Neste mês o livro que apresentamos e sugerimos trata do tema relacionamentos.

Gary Chapman, autor de vários livros, em seu “Amor é um verbo” traz várias histórias de vida reais, de situações nas quais “o amor foi posto a prova e venceu todas as adversidades”. São exemplos de relacionamentos conjugais, entre pais e filhos, entre irmãos, antigas e novas amizades, demonstrações de amor por desconhecidos, entre outros.

Amor não é só um sentimento. Amor é ação!

Leia abaixo a sinopse e um trecho do livro (*):

"Ao contrário do senso comum, o amor não é apenas um sentimento. Ele é uma escolha diária a ser demonstrada no casamento, na família e nas amizades. Certamente, nada difícil quando tudo vai bem. O desafio se apresenta nas circunstâncias que estressam os relacionamentos. É nesse momento que as dicas de um experiente conselheiro podem fazer diferença.

O Dr. Gary Chapman tem-se dedicado à tarefa de ajudar pessoas a comunicar amor com mais eficácia e, assim, construir relacionamentos mais sadios. Nessa obra ele enfatiza que o amor não é mero sentimento. Tampouco se trata de um simples estado de espírito que o afasta da realidade.

O amor é, sim, o componente essencial para sobreviver nos relacionamentos. Uma escolha diária que precisa ser tomada, especialmente em situações extremas. Aprenda com o autor a demonstrar seu amor através de ações concretas. "

Trecho do livro:

"'O amor faz o mundo girar.'

'Amar é tudo de que você precisa.'

'O amor pode deixá-lo maluco...'

Todos nós sabemos que poemas, canções, filmes e oradores têm tentado descrever e expressar o ato de amar de maneira adequada.

Filmes e programas de televisão se concentram na busca pelo amor e pela satisfação pessoal. Anúncios usam esse sentimento poderoso para nos vender produtos. Ao que parece, nossa cultura possui uma mentalidade atrelada ao amor.

Seja no casamento, na família ou nas amizades, não é surpresaperceber a atração exercida pelo amor, nem o fato de ele ser colocado na lista de prioridades de nossa vida. Afinal de contas, o livromais sábio de todos, a Bíblia, nos diz que o próprio Deus é amor.

Poucas emoções da vida se igualam à excitante torrente de adrenalina provocada por um novo romance, à doce companhia de um amigo ou ao fiel apoio de um membro da família. Não é de estranhar que busquemos amar mais que tantas outras experiências positivas. É muito mais fácil enfrentar os desafios normais e cotidianos quando sabemos que existem pessoas que estão sempre ao nosso lado quando precisamos, que existem pessoas que nos apoiam incondicionalmente.

Uma vez que todo relacionamento amoroso envolve seres humanos falíveis, os desafios são enormes. Diferentemente das ligações pessoais apresentadas no cinema e na televisão, as questões reais entre as pessoas normalmente não podem ser resolvidas em trinta minutos, nem em alguns episódios. Às vezes tanto as situações como as pessoas impedem que amemos adequadamente.

A euforia diminui depois da cerimônia de casamento, e os sentimentos românticos podem voar pela janela. Experimentamos um desacordo intenso e, então, acabamos agindo como opositores, em vez de apoiadores.
Em alguns momentos, ocorrem ruídos na comunicação. Em outras ocasiões, podemos nos prender a expectativas irreais. Ainda em outras situações, francamente, talvez nem sequer saibamos como amar se encaixa na equação. E, quando as coisas ficam realmente ruins, algumas pessoas simplesmente seguem adiante... deixando para trás uma trilha de corações feridos.

Como pastor e conselheiro, tenho presenciado essa situação diversas vezes. Um dos cônjuges se cansa do casamento e cede à tentação de ver se a grama do quintal de outra pessoa é realmentemais verde. Pais e filhos interrompem mutuamente a comunicação por conta de um mal-entendido. Uma pessoa se senta sozinha na igreja ou simplesmente deixa de frequentá-la porque perdeu um amigo e tem medo de se abrir de novo para outra pessoa.

Tenho visto pessoas demais desistindo rápido demais de amar. Abandonar relacionamentos não traz o alívio esperado, não cria soluções nem simplifica a vida. Em vez disso, acumula mais problemas por meio de julgamentos e ressentimentos persistentes. Diante disso, quais são as respostas aos desafios lançados pelo amor? Para começo de conversa, é necessário dizer que, a fim de suportar a longa caminhada e enfrentar o estresse e a complexidade da vida, amar precisa ser mais do que algo que sentimos. Precisa ser algo que fazemos. Precisamos demonstrar amor concretamente em nosso casamento, nossa família, entre nossos amigos e conhecidos e, sim, até mesmo aos nossos inimigos.

É disso que trata este livro. Nas páginas a seguir serão apresentados exemplos de pessoas como você — como todos nós — que aprenderam a pegar os obstáculos, os “limões” que encontram na vida, e transformá-los em néctar agradável, capaz de matar a sede emocional.

(...)

Você deseja desfrutar os melhores relacionamentos possíveis? Então vamos trabalhar. Amar não se limita a um pronome como “ele”, “ela”, “eles” ou “elas”. Não se relaciona a quem são as outras pessoas, a como elas nos tratam ou ao que fazem para que as valorizemos. O ato de amar começa com você e, fundamentalmente, não tem de ver com o que você diz ou sente. Em vez disso, amor é uma palavra de ação; é uma escolha que você precisa fazer. Amor é um verbo! "

Gary Chapman é autor do conhecido "As cinco linguagens do amor" (Ed.Mundo Cristão, 1997).

Amor é um Verbo. Editora Mundo Cristão, 2009.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Amor de Deus e Amor próprio

"A procura do bem é a procura de uma vida que não conhece a morte, a realidade plena da sua própria vida que está ao abrigo de toda a perda. Esta vida sem morte é Deus, Deus amado e procurado enquanto eternidade. Esta eternidade é o futuro absoluto: se o homem deseja a realidade plena da sua própria vida, procura-se e deseja-se como porvir e não ama o eu na primeira pessoa, que encontra como dado na realidade terrestre. O ódio a si e a renúncia ao si levam ao eu do presente, dado, mortal. O critério do amar justo ou mau não é a renúncia a si em absoluto mas uma renúncia pelo amor do eterno que nos espera: 'Abstém-te de amar nesta vida, para não perderes a vida eterna (...) Se ocasionalmente amaste mal, então odiaste; se odiaste com conhecimento de causa, então amaste'. Amor de Deus e amor de si caminham lado a lado e não se contradizem. No amor de Deus, o homem ama-se a si próprio, ao homem que há-de-vir , na pertença desejada a Deus, logo, a si mesmo enquanto aquilo que será eterno. Esta renúncia de si é pseudocristã não porque não procede da consciência do seu próprio ser de criatura nem da insuficiência de tudo que é humano que Deus chamou à obediência da fé, e pelo que, desde logo, toda a autonomia é orgulhosa (São Paulo), mas porque ela é a última consequência, ultrapassando-se a si mesma, do amor, do desejo, da procura do seu próprio bem. E é apenas porque o homem não constitui ele próprio um bem que lhe permite ser feliz que não é auto-suficiente, que deve procurar-se e que nessa procura o bem leva-o a esquecer-se de si próprio. Ele pode perder-se se se esquecer nos bens deste mundo. O desejo é, pois, a estrutura fundamental do ser que não se possui a si mesmo e que corre o perigo de se perder. No abandono de Deus, o homem é empurrado para fora de si (extra se) e perde-se aí."

(Arendt, Hannah. O conceito de amor em Santo Agostinho. Trad. Alberto Pereira Dinis. Lisboa: Instituto Piaget, s.d., p. 33-34)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Tu nos amaste primeiro


"Pai celeste! Tu, que nos amaste primeiro, ajuda-nos a nunca esquecer que és amor, para que essa certeza triunfe em nosso coração contra a sedução do mundo, contra a inquietude da alma, contra a ansiedade do futuro, contra o medo do passado, contra a angústia do presente. Todavia, permite também que essa convicção discipline nossa alma, para que nosso coração permaneça fiel e sincero no amor para com todos os que nos ordenaste amar como a nós mesmos.

Tu nos amaste primeiro, ó Deus! Falamos disso em termos de história, como se tivesses apenas nos amado uma única vez, em vez de incessantemente nos amar primeiro muitas vezes, todos os dias e por toda a nossa vida. Quando acordamos de manhã e buscamos a ti - tu és o primeiro -, tu nos amaste primeiro. Se me levanto de madrugada e no mesmo instante volto minha alma para ti em oração, tu estás ali antes de mim; tu me amaste primeiro. Quando me desvio das distrações do dia e me volto para ti, tu és o primeiro, e assim sempre. Contudo, sempre expressamos ingratidão, como se nos tivesses amado primeiro uma única vez."

Kierkegaard, Sören.
Tu nos amaste primeiro. In.: Foster, Richard; Smith, James Bryan (org). Clássicos Devocionais. São Paulo: Vida, 2009, p. 462-463.